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No Ângulo | Futebol é preciso

Apresentar um treinador em março dá nisso

18/03/2016

Créditos da imagem: Portal Terra

Não deveria ser assim, mas não é novidade para ninguém um treinador ser apresentado em um time grande a essa altura do ano. É normal, é bonito, é festa.

Não podemos esquecer que o Palmeiras acabou de demitir um treinador bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro e campeão da Copa do Brasil pelas cores do Palestra, para contratar um treinador que estava há quase dois anos treinando um time do futebol chinês.

Sendo assim, continuam os fogos e as comemorações, apenas com o quesito principal de mudança.

Só que, às vezes, a mudança não é para melhor e sim para pior.

Vamos fazer um pequena avaliação do que é o Palmeiras, um time com muito dinheiro, dentro dos padrões brasileiros, que contrata à torto e à direita, que tem problemas táticos e de vestiário.

Na questão tática, podemos até dar um ponto para o Cuca, que conseguiu levar o Atlético Mineiro à conquista da Copa Libertadores em um esquema no qual ele criou um estrutura de zaga muito forte, com o fechamento pelo meio de Josué e Pierre, grandes cães de guarda, fez uma distribuição muito boa pela direita com Tardelli e, pela esquerda, com Bernard e, claro, a dupla que fez muito barulho nos dois anos de passagem pelo Galo, Ronaldinho Gaúcho e Jô pelo meio.

Porém, na questão de vestiário, temos dois exemplos ruins em trabalhos dele no estado de São Paulo, um dirigindo o próprio clube da capital e outra dirigindo o Santos, ambos com problemas relacionados às suas fortes superstições. No Santos, segundo consta, querendo treinos às 6h da manhã, pois o time passava por uma péssima fase, no ano do seu quase rebaixamento, em 2008.

Posto isto, vemos a mudança prematura ou tardia de mais um treinador em um grande clube do Brasil, sendo que já havia especulações dessa troca no ano passado, porém, nosso querido Paulo Nobre negou as conversas e, hoje, vemos ele sendo desmentido pelos próprios atos. Trata-se de um desrespeito ao profissional que estava lá antes e irresponsabilidade com a própria torcida, que está sendo enganada por um gestor que age mais com a emoção do que com a questão analítica. Vemos isso em três estágios: a permanência no fim do ano do Marcelo Oliveira, a demissão em março de Marcelo Oliveira e a pronta contratação de Cuca.

Isso tudo me leva a crer que Cuca não é o melhor dos nomes para dirigir o Verdão hoje, aparentemente ele não tem o perfil mais adequado e claramente não veio em um bom momento para se construir um trabalho (já começou mal, perdendo para o Nacional no Uruguai e, praticamente, sendo eliminado da Libertadores).

Claro que ele pode fazer uma excelente campanha no restante da temporada, mas a cada dia mais vemos que o Palmeiras vem se tornando um ótimo clube comercial, mas limitado dentro de campo e na capacidade de seus dirigentes.

Leia mais: Cuca poderá sim fazer um bom trabalho, mas não milagres