
Créditos da imagem: Emílio Pedroso, BD
Desde que passou a ser levado a sério no futebol brasileiro, o rebaixamento é o grande pavor dos times tradicionais. Faz-se de tudo para evitá-lo, às vezes mais fora do que dentro de campo. Quanto mais incompetentes na administração do time, mais criativos se tornam os dirigentes no tapetão. A vergonha do momento é o Internacional, que cogita lançar mão de uma suposta irregularidade cometida pelo Vitória para apagar sua péssima campanha.
A história mostra que o artifício pode dar resultado imediato, mas macula de forma definitiva a imagem do clube espertalhão. O Fluminense ainda deve uma Série B ao futebol brasileiro por causa da Copa João Havelange, de 2000, que o promoveu na canetada da série C para a A. Além disso, foi beneficiado, ao lado do Flamengo, na estranha história de escalação irregular de um jogador da Portuguesa em 2013. Hoje, o tricolor carioca sofre mais com a má fama que esses fatos geraram do que se beneficia por suas recentes conquistas.
No Paulista de 1990, deu-se um jeito de o São Paulo de não cair. Frequentemente, os torcedores são-paulinos têm que ver esta polêmica vir à tona.
Grêmio, Corinthians, Palmeiras, Botafogo, Vasco e Atlético Mineiro, por exemplo, foram e voltaram. Alguns muitos mais fortes. Tudo bem que os vascaínos estão ameaçados de permanecer mais uma temporada na Série B, mas isso é do jogo.
As reviravoltas do rebaixamento, infelizmente, têm papel significativo no futebol brasileiro. Não teríamos tempo para falar de todas aqui neste espaço. Mas muitos devem se lembrar de casos como o de Sandro Hiroshi, acusado de ter adulterado sua idade, e que custou pontos ao São Paulo em jogos contra Botafogo e Internacional, livrando ambos da degola lá no longínquo 1999. Lambança que deu origem à já citada Copa João Havelange.
O Inter ajudaria muito mais o futebol se sua diretoria, em vez de ficar procurando pelo em ovo, anunciasse a renúncia coletiva por administração incompetente. Que explicasse como um time que estreou no Brasileiro com banca de favorito consegue ter quatro técnicos em 38 rodadas. Como contrata o folclórico Lisca, a três rodadas do final, como salvador da pátria? Enfim, que esclarecesse como se desmancha o poderio de um grande clube como o Inter.
E, por favor, que pare de inventar moda para fazer com que os resultados dentro de campo sejam apenas um detalhe no futebol brasileiro.