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Enfim, Alemanha e Brasil estarão se enfrentando. A não ser para os ufanistas doentes (mentais) que viram uma revanche na final olímpica, este será o primeiro encontro desde o maior vexame da História da Seleção Brasileira. Vexame este que ainda levou dois anos para fazer efeito, pois a primeira reação foi trazer Dunga de volta. Só que demorou, mas aconteceu. Tite chegou, a Seleção disparou nas eliminatórias e a tal “geração perdida” mostrou a evolução de valores além-Neymar (com o perdão do trocadilho). Natural que houvesse muita expectativa para o amistoso desta terça-feira. Porém, as circunstâncias sugerem conter o entusiasmo. Vai ser mais esconder jogo que jogo em si.
Quem acompanhou o amistoso entre Alemanha e Espanha, seguido da decisão de poupar Müller, Özil e Khedira, já pôde constatar que a atuação “pra valer” dos germânicos aconteceu na sexta-feira. Entre medir forças contra os espanhóis quase completos e um Brasil sem Neymar, o técnico Low escolheu a primeira opção. Além da questão técnica, estrategicamente não é interessante dar ao Brasil um teste completo. O treinador campeão mundial sabe que a seleção rival queimou dois cartuchos. Um por azar, já que a Inglaterra atuou sem os lesionados Kane e Dele Alli. Outro por prováveis interesses extra-futebol, pois bastava ter visto a Copa das Confederações para saber que a Rússia é fraquíssima. A história de “experiências contra retrancas” só engana chapa-branca ou desavisado. A Alemanha não tem nada a ver com isso e estratagemas -às vezes pouco louváveis- sempre foram com ela mesma.
“Ah, mas a Alemanha se priva de enfrentar um sul-americano forte!”. Não me parece que estejam muito preocupados. Mesmo porque, em Copas na Europa, a tendência é que haja ao menos seis europeus nas quartas-de-final – os “intrusos” costumam ser Brasil e Argentina. Ademais, individualmente os brasileiros são bem estudados, sendo que na parte tática é o futebol sul-americano que vai buscando aprender com o rival -no que faz muito bem. E tem o mais óbvio de tudo: o fator psicológico. Se você arrebentou um rival forte na última edição, pra que dar a este a oportunidade de sepultar o trauma antes da próxima? Não. Se for enfrentá-lo, você não vai colocar tudo o que tem. Ele pode até vencer, mas seguirá com dúvidas. Continuará sabendo que não o derrotou em seu melhor. E, se perder (afinal, o jogo é na Alemanha), aí que o trauma ficará intocado.
Tite parece ter compreendido a situação. Vai aproveitar para outra experiência. Contra a Rússia, colocou Douglas Costa para acompanhar o lateral e Coutinho na armação, sem ter que bancar o “estagiário” do atacante aberto. Em Berlim volta o estágio, desta vez a cargo de Fernandinho. Seu papel defensivo será formar a linha defensiva pelo lado esquerdo. Desta vez teremos Coutinho na função do camisa 10, dispensado de acompanhar o lateral. Em termos de seleção, ambas as ideias têm lacunas. Nada assegura que Fernandinho fará bem as tarefas do -ainda- titular Renato Augusto. Quanto a Coutinho, embora habituado no setor, será um meia-atacante aberto sem tanta agressividade na área (ver coluna anterior). E o mais grave: com Casemiro, Fernandinho e Paulinho juntos, Willian e Coutinho voltarão para criar, deixando o centroavante isolado. Vai ter até comentarista pedindo Willian José…
Sendo assim, não recomendo que cancelem compromissos para ver esta partida. Talvez para acompanhar Espanha e Argentina. Isso se a primeira também não resolver poupar gente, igualmente negando a Messi & CIA um grande laboratório -o que os argentinos devem agradecer, pois ouso prever uma surra em caso contrário. Nem Galvão Bueno conseguirá manter a “emoção” por muito tempo. As respostas ficarão mesmo para junho -e, quem sabe, julho.