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No Ângulo | Futebol é preciso

Afinal, sabemos quem é o Neymar?

24/09/2017

Créditos da imagem: Getty Images

Neymar me fez gostar mais de futebol. Eu o vi (mais garoto do que eu era ainda) surgir de mansinho, o tal do “filé de borboleta”, que de repente era amado e odiado na mesma proporção, graças a seus dribles, saltos, provocações. Com ele, jogadores no máximo medianos – que o digam Zé Love e André – foram catapultados para contratos com europeus e o Santos brilhou como não brilhava há certo tempo. Por ele, garotinhos conheceram o “Futebol Arte”, como Ronaldinho Gaúcho apresentou à minha geração. Quando o via atuando aqui no Brasil, parecia que ele estava em outro jogo, parecia que flutuava em campo, como naquele jogo contra o Flamengo. Justíssimo hors-concours da Placar.

Não é perfeito, não mesmo. Um monstro, diria Renê Simões. Problemas com Dorival, problemas com Luis Enrique, problemas com o Santos, problemas com o fisco espanhol… Agora problemas com o Cavani. Mas também especialista em vencer desconfianças, às vezes até preconceitos, pois sim, ele existe quando um menino sai pobre de Mogi das Cruzes e conquista a Europa, quem sabe em breve o mundo. Um menino. Um menino?

Nem tão menino assim, tem 25,  indo para 26 anos. Mas nós seguimos esperando se concretizar a sua sina desde que saiu do Brasil: virar o maior do mundo. Apesar de ser finalista de novo, é fato que não será esse ano, mas a crença sobrevive. Sim, parece inevitável que esse dia vai chegar e que atuações como aquela contra o PSG se tornem tão frequentes como suas mudanças de penteado. Mas será que esse dia vai chegar mesmo? Que ele ainda tem tanto mais a entregar que irá chegar ao patamar de Cristiano Ronaldo e Messi? Será que ele vai sobrar diante de Dybala, Mbappé e, por que não?, Gabriel Jesus e Coutinho, como o gajo e “la pulga” sobram há dez anos? Mais: será que ele irá sobrar uma única temporada?

Neymar é um gênio. Porém, talvez não atenda jamais determinadas expectativas. Ou atenda um dia e minhas tortas linhas sejam dribladas, “dibradas”, envolvidas pela magia do seu futebol.

Por favor, Neymar me contrarie de novo. Quem sabe na Rússia?