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No Ângulo | Futebol é preciso

A vitória mais corintiana desde o gol de Guerrero contra o Chelsea

23/02/2017

Créditos da imagem: Miguel Schincariol / Gazeta Press

Por gerações, o Corinthians “corria atrás”. Correu atrás de quebrar o tabu contra o Santos de Pelé, de pôr fim aos 23 anos de jejum, de conquistar seu primeiro título brasileiro, de se firmar como um time de conquistas nacionais, de um título internacional, de ter projeção mundial, de ganhar sua primeira Libertadores, de ser campeão do mundo, de enfim ter a casa própria…

Muitas dessas coisas eram banais para seus poderosos rivais. Mas quando “eliminava a pendência”, o Timão sempre o fazia em grande estilo. E de tanto correr atrás, de repente não percebeu mais nada à sua frente e ficou irreconhecível.

Eu diria que o gol de Guerrero contra o Chelsea tinha sido o último grande momento da mística corintiana. Aquela da superação, de entrar em campo desacreditado e, com o apoio da Fiel e muito sofrimento, conseguir fazer o que parecia impossível. De “malacos” como Paolo Guerrero (que naquela partida provocou David Luiz) e Emerson Sheik sendo xodós da torcida.

Depois disso o Coringão ficou esnobe e “virtuoso”. Tentou ter Alexandre Pato como seu rosto. Foi eliminado de maneira humilhante pelo Atlético e nem se abalou. Em seu “palácio de mármore” passou a protagonizar seguidos vexames em mata-matas. Chegou até ao ponto de ganhar um Campeonato Brasileiro como um “europeu”, mas não como Corinthians.

Apesar de ter sido o melhor time brasileiro dos últimos anos, o campeão brasileiro de 2015 era certinho demais para ser “Curíntia”. Não teve nem sofrimento. Seus destaques foram o exemplar Renato Augusto e o tímido Jadson. Era a cara do metódico e admirável Tite.

E então o alvinegro passou a sofrer seguidos desmanches. Ao mesmo tempo em que o principal rival renascia poderoso, cada vez mais rico e ambicioso, e já pintando o país de verde; que o São Paulo não perdeu a pose e seguiu trazendo medalhões que fazem lotar o Morumbi; e que o Santos manteve a base, mesmo contando com jogadores de Seleção Brasileira.

Outrora no topo do mundo, o Timão ficou insípido. Cheio de desconhecidos e com figuras que transmitem certa malemolência, como Guilherme, ou falta de personalidade, como Marquinhos Gabriel. Até seus técnicos passaram a ser ponderados e monocórdicos, como Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira e – ainda em formação – Fábio Carille.

Isso tudo virou passado no primeiro e histórico Dérbi do Centenário.

Enfrentar o arquirrival milionário, campeão brasileiro e “melhor elenco das Américas”, estando totalmente desacreditado em sua própria casa, e de repente se ver com 10 homens em campo pela maior injustiça imaginável da arbitragem (afinal, não houve sequer margem para engano, puro surrealismo),  foi o que precisava para romper a “ditadura do método e disciplina”que imperava há anos no time do Parque São Jorge e despertar a tradicional alma de mosqueteiro. Pelas mãos do fanfarrão Kazim – o “gringo da favela” -, do “grosso” e abnegado Romero e de seis jogadores formados “no terrão”, o imperfeito (e outrora “da balada”) Jô fez o gol mais corintiano desde 2012. Outro daqueles históricos gols solitários do Time do Povo, como de Luizinho, Ruço, Basílio, Tupãzinho, Betão, Guerrero…

Ah? É para eu falar do jogo? Mas isso é o de menos. O que importa é que o Coringão voltou!