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No Ângulo | Futebol é preciso

A manutenção de Rafael Marques na reserva é teimosia

24/09/2015

Créditos da imagem: espn.uol

Sempre pensei que uma das melhores qualidades que um técnico de futebol pode ter é “aceitar” as coisas que vê, não ter um “conceito fechado” sobre táticas e jogadores, enfim, ser “mente aberta” e passar longe da teimosia.

Acredito que o dinamismo do futebol (e do esporte em geral) exige essa flexibilidade.

Tenho pavor de treinadores que brigam gratuitamente com a imprensa, os tinhosos que parecem cismar em não colocar A ou B pra jogar e os que encaram como derrota o nobre ato de ceder às evidências.

Na Copa do Mundo de 2010, Dunga foi teimoso ao não convocar Neymar e Ganso (se este “vingou” ou não, isso é outra discussão) para o escrete canarinho. A verdade é que, imaturos que eram, eles nem precisavam jogar, mas só de estarem lá, por exemplo, nos lugares de Júlio Baptista e Grafite, poderiam ter sido importantes. Os algozes holandeses devem ter gostado.

E que a vitória não sirva para “maquiar” a teimosia. Explico: Felipão deixou de levar Romário na Copa de 2002 e sagrou-se campeão do mundo. Para muitos, opção acertada, pois. Já eu, embora não possa assegurar, gosto de pensar que a trajetória teria sido ainda mais bela com o melhor centroavante que vi jogar ajudando dentro de campo. Ora, quem afinal pode garantir que com o quarteto Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo e Romário o Penta não teria vindo? Ao menos em tese, é razoável supor que sim. De modo que vejo teimosia – e não convicção – no pensamento de Scolari. Até porque não sabíamos (e ninguém poderia) como Rivaldo e Ronaldo estariam naquela Copa, já que ambos retornavam de graves contusões. A aposta foi altíssima. Ainda bem (para ele e para o Brasil) que o título veio.

Optei pelo tema da coluna ao analisar o Palmeiras em 2015. Tive a oportunidade de assistir a inúmeros jogos do Alviverde no ano e vejo Rafael Marques, jogador indicado pelo técnico anterior – Oswaldo de Oliveira – e que passou a frequentar a reserva após Marcelo Oliveira assumir o comando técnico da equipe, como o seu grande destaque ofensivo.

É nítido que o Palmeiras é outro com o ex-atacante do Botafogo em campo. Ele é, ao lado do volante Gabriel (hoje gravemente contundido), o reforço que mais deu certo da “baciada” trazida pelo badalado diretor Alexandre Mattos. Ontem, contra o Internacional, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, mais uma vez o artilheiro da equipe no ano foi destaque ao substituir Arouca – fez gol e incendiou a partida, que terminou 1×1.

Longe de mim querer “escalar” o Palmeiras. O seu técnico é capacitado e muito bem pago pra isso. Mas há um bom tempo resta evidente que o tático, dinâmico, vibrante e com faro de gol Rafael Marques tem que voltar a ser titular. Sob pena de Marcelo Oliveira passar por teimoso.

E segue o jogo.