
Créditos da imagem: RTP
Da boca para fora, todo mundo gosta de dizer coisas como “não desista dos seus sonhos”, “corra atrás do que você deseja”, “nada é impossível” e “o importante é lutar até o fim”.
Só que na prática não é assim que costumamos agir. E nem mesmo como queremos que os outros ajam.
Entre 2009 e 2012 – período de total e quase inédita dominância do inesquecível Barcelona do Guardiola – Messi conquistou quatro prêmios de Melhor do Mundo da Fifa seguidos, um fato inédito. Enquanto se discutia até onde ia o astro argentino, e seus rivais passavam a ser figuras como Maradona e – injustificadamente – Pelé, Cristiano Ronaldo não passava de um coadjuvante de luxo. Se o popstar português era visto como melhor do que todos os outros, era tido como certamente abaixo do argentino. Estava como em um isolado segundo escalão.
Nesses anos, “CR7” (odeio essas siglas) relutava em reconhecer que Messi era o melhor jogador do mundo. Era frequentemente ridicularizado e colocado como um invejoso que se negava a admitir o óbvio. Pouco se ponderava a enorme diferença entre o Barcelona do hermano e o Real Madrid do gajo. O “fato” era, então, que o “egocêntrico” português se mordia de inveja do humilde “Leo” (confesso que ando ranzinza, mas também me incomodo quando usamos esses “apelidinhos íntimos” para jogadores que mal conhecemos a voz ou sabemos como falam).
A diferença de personalidade entre eles só servia para aumentar a simpatia por um e a antipatia pelo outro. Até mesmo os clubes são encarados de maneira muito diferente: enquanto o “Barça” (outro apelido simpático) é “sinônimo de futebol arte”, “mais que um clube” e “forma craques em casa” (não importando quantos estrangeiros tenha), o Real Madrid é o “comprador fanfarrão”, “apoiado pelo ditador Franco” e “chega ao ponto de só querer jogadores bonitos”.
Pois bem, o fato é que hoje, queira-se ou não, Cristiano Ronaldo é sim rival de Messi. Pouco importa a opinião pessoal (para mim o craque do Barcelona é sem dúvidas melhor), visto que a rivalidade entre eles ficará para a história. E se observarmos que desde que Guardiola saiu do clube catalão o português faturou três “Bolas de Ouro” contra uma do argentino, vemos que o gajo estava mais do certo quando peitava o resto do mundo e se dizia melhor do que Messi.
Admiro Cristiano Ronaldo mais por isso do que por seu eficientíssimo futebol. E agora até mesmo sua imagem está mudando, como na liderança demonstrada na campanha portuguesa no inédito título da Eurocopa. O admirável exemplo da “alma inconquistável” de um obstinado que simplesmente não aceitou se curvar ao resto do mundo, e hoje faz o mundo se curvar a ele.