
Créditos da imagem: Sportv
Defesa, menos posse de bola, ligação direta, bola parada, o craque que se vire quando a bola chegar… Soa familiar, não? Sim, era a sinopse de vencedores de campeonatos no Brasil. Especialmente depois que Muricy Ramalho (que, no FOMQ, chamo carinhosamente de “minha mula”) ganhou os títulos nacionais de 2008 e 2010 jogando a bola pra cima. Mais adiante, tivemos uma versão zoológica muito doida chamada Cucabol – ou “Muricybol com pó de mico nos calções”. Pros desavisados, parece que os dois técnicos proletários teriam se consagrado na Rússia. Acontece, amigo internauta que não ajuda nas transmissões, que sinopses não garantem roteiros. No caso deles, escondem.
Se tem duas coisas que tiraram Muricy de circulação no futebol, foram as linhas compactas e os meias ou atacantes abertos. Ele nunca se adaptou. Nem com o turismo em Barcelona. Fosse com três ou dois zagueiros, sempre confiou num volante cão de guarda e jogadores espalhados desde sua área. Na frente, a famigerada dupla de ataque – de preferência, dois centroavantes. Só o Uruguai fez algo parecido na Copa. Com uma grande diferença. Quando Suárez recebia no meio, Cavani abria. E vice-versa. Isso quando não eram os dois começando abertos. O primeiro gol contra Portugal foi assim. Você não veria isso num time de Muricy ou Cuca. Suárez e Cavani estariam dentro da área, um atrapalhando o outro. A seleção de Tabárez foi quinta colocada. A de Ramalho ou Stival seria décima-quinta pra baixo.
Claro que nenhum dos dois, como comentaristas da Copa, vai reconhecer o próprio demérito. Mas a televisão serve também como prova. Muricy é tão antenado que ficou surpreso por Kane não ficar parado na área. Vai ver, já se via treinando a Inglaterra, nos moldes clássicos do passado. Cuca deve ter vibrado em silêncio com a Dinamarca. Posicionamento? Estratégia? Não “sejemos” ingênuos. Claro que foi com o jogador que jogava qualquer lateral na área. Quando ele e outro treinadores de pijama forem chamados de volta, pedirá sua contratação a qualquer custo. Falando em pijama, outro que brilhou nas telas foi Luxemburgo. Foi o monólogo surrado de costume. Não mudou nada no futebol. Tudo é variação do que ele mesmo criou. Mais esclarecimentos tão logo fique pronta sua biografia – em portunhol, nas melhores bancas e cassinos.
Muricy, cada vez mais confortável na frente das câmeras, aproveitou o jogo entre Brasil e México pra ser corporativista e cara de pau. Corporativista quando elegeu Tite o melhor técnico do mundo. Podia ter ficado no o óbvio: Tite é melhor que ele, mesmo enterrando a seleção com sua “coerência”. Já a cara de pau veio ao falar de Osório. Com um sorriso moleque, falou que o colombiano “quer fazer tudo diferente”. OK, mas o que dizer do treinador que colocou meia na lateral, só pra levantar bola pro zagueiro que foi jogar de centroavante? E de quem resolve jogar com três zagueiros, sem nunca ter treinado o time assim, justamente contra o Barcelona? Não é porque ficou no banco emburrado, sem caderno ou caneta vermelha, que ninguém vai lembrar. Enquanto eu existir, podem estar certos de que alguém nunca vai esquecer. Meus amigos santistas também não.
Zoações à parte, há mesmo o perigo da revanche dos medalhões. O culpado, adivinhem, é Galvão Bueno e sua “nova ooooordem do futebol mundial”. O mesmo Galvão obcecado por impedir o retorno da monarquia francesa (“vive la republique”). Em apoio, experts decretaram o retorno triunfal do jogador alto, forte, garboooso, etc… Dane-se a modesta média de altura da mesma França. Dane-se que Copa do Mundo é uma coisa, futebol de clubes é outra. Abriram a janela pra que os amiguinhos da imprensa cavem lugares a seus queridos. Não se espantem se, de repente, a saúde de Muricy não for mais problema. Com certeza não será empecilho a Cuca. Se depender da nova velha ordem, é questão de tempo pra descobrir o próximo mascote insano do pedaço.