
Créditos da imagem: Lucas Figueiredo / MoWA Press
“Agora vai!” – deve ter dito Fernando Prado após a estreia do Palmeiras. Naturalmente, estaria se referindo a Lucas Lima, depois de grande partida. Não demorará para fãs e jornalistas iniciarem a campanha por sua convocação, como acontece com destaques nacionais do primeiro semestre. Mas, além de bola pra isso, teria ele efetivas chances de estar no avião para a Rússia? É possível, mas sugiro aos fãs que contenham o entusiasmo. Há muito o que convencer – embora o posicionamento contra o Santo André sugira uma oportunidade que, no Santos, não existia.
Fosse com Dorival Junior, fosse com seus sucessores santistas, Lucas Lima raramente pôde jogar como ontem. No 4-2-3-1 da Vila, ele tinha que ser meia-atacante, pelas pontas ou centro. No Palmeiras desta quinta-feira, Roger Machado usou o 4-3-3, com Lucas Lima e Tchê Tchê como armadores à frente de Felipe Melo e atrás do trio ofensivo. Esta função abre uma brecha para Tite. Jogando como meia-atacante aberto pela direita, ele é carta fora do baralho. Gostem ou não, as vagas são de Philipe Coutinho e Willian, que convenceu nas Eliminatórias e só ficará de fora em caso de lesão. Por outro lado, tornando-se armador em definitivo, ele se torna candidato a reserva de Paulinho, inclusive como alternativa tática para rodar mais o jogo. Sendo assim, a primeira volta desta disputa exige que o treinador palmeirense mantenha-o ali. Se for para o lado, dançou.
A segunda dificuldade é repetir o futebol da estreia em mais jogos, especialmente os de nível mais alto. Tite não começou a treinar ontem. Não vai cair no conto de leões de estadual, que já fizeram muita porcaria ser pedida por jornalistas que odeiam aprender com a experiência. Lucas Lima precisa jogar bem os clássicos, a fase final do Paulistão e as primeiras partidas pela Libertadores. “Só isso?”. Que nada. Não apenas terá que se sair bem articulando o ataque, como precisará compor a linha de quatro defensiva, sem dar “migué”. Nem pensar em ser dispensado da linha de marcação, porque na seleção este privilégio será de Neymar e do centroavante, sendo que nenhum time é campeão marcando com sete. Ou ele faz isso, ou melhor nem perder tempo discutindo o assunto. Será mais inútil que debater se o Pateta é um cachorro.
O terceiro obstáculo traz uma dificuldade peculiar. Trata-se da falta de partidas contra equipes europeias, as quais se posicionam de forma mais compacta. Mais que tempo, reduz-se o espaço para tomar decisões. É o que comento sobre diferenças de ritmo e posicionamento que, infelizmente, não têm como ser superadas sem intercâmbio. Porém, o que justifica eventual aposta em Lucas Lima é que, a rigor, nenhum brasileiro na Europa vem atuando como armador. Nem mesmo Paulinho, já que no Barcelona este papel é de Iniesta e Rakitic. Existe também uma vantagem sobre Hernanes, não apenas por seu retorno à China. O Profeta atua mais pela esquerda, setor de Renato Augusto, que exige ainda mais físico porque implica marcar o lateral adversário no lugar de Neymar. Lucas Lima concorreria com Giuliano, que por ora tem a vaga por WO.
Penso que, caso atue bem como armador (não vale abrir ou avançar como ponta-de-lança) e mostre capacidade para marcar (sem fingimento), Lucas Lima pode mudar a lista atual de Tite. Acredito que conseguirá? Sinceramente, não muito. Uma coisa é estrear bem. Outra é repetir a performance (técnica e tática) com a concentração em nível normal. O ponto da coluna é apontar a trajetória necessária para uma improvável presença na Copa. Lucas Lima se queimou em 2017, especialmente no segundo semestre. Resta saber duas coisas: 1 – se vivenciará mesmo que repertório técnico não é tudo no futebol; 2 – se queimará etapas para retomar o tempo perdido. A partida foi dada. Chegar é que são elas.
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