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No Ângulo | Futebol é preciso

A mão de Mano Menezes no virtual campeão, que não é tão ruim nem tão bom

13/11/2017

Créditos da imagem: Gazeta Press

Quando o ano de 2017 começou, fui duro com meu filho corintiano. Disse que, com o time que o Corinthians tinha, era importante torcer contra o rebaixamento -no Paulista e no Brasileiro. Depois de ter um 2016 ruim, após a saída de Tite, e os fracassos de Cristóvão e Oswaldo de Oliveira, pouco havia a se esperar. Até a efetivação de Carille era mais uma medida de economia do que um investimento no futuro.

Seus reforços eram pobres. Jô em momento altamente duvidoso. Gabriel que teve séria contusão e foi encostado no Palmeiras. Um monte de meninos da categoria de base que sempre são uma dúvida, sobre o que podem fazer no momento e as possibilidades de futuro.

Mas lá foi o time. Ganhou o Paulista de forma competente. Surpreendeu e, para mim,  já tinha compensado o ano. Saiu da Copa do Brasil sem derrotas. Mas saiu. Estreou no Brasileiro com um apagado empate em 1 a 1 com a Chapecoense em casa. Vamos brigar pela vaga de pré-Libertadores, diziam os corintianos mais realistas.

Mas Carille, funcionário do clube desde 2008 (veio com Mano), resolveu colocar em prática uma forma de jogar que se cristalizou no time. Em 2008, Mano foi chamado para disputar a Segundona. Montou uma estrutura de jogo muito forte. Um time que defendia bem em duas linhas de quatro ou de quatro/cinco, mas que sabia arrancar para surpreender o adversário.

No esquema de Mano foram usados Diogo Rincón, Douglas, Ronaldo e outros. Ele respeitou as características dos jogadores, e manteve o estilo de jogo.

Quando saiu para a seleção, foi substituído por Adilson Batista, que errou ao tentar mudar o esquema. Aí veio Tite, que retomou a estratégia de Mano com alguns toques diferentes.

O time avançou. Ganhou títulos e estava na crista da onda até Tite ir para a seleção. As tentativas já faladas aqui, com Oswaldo e Cristóvão, foram fracassos. A solução, tomada mais por economia do que por competência administrativa, foi manter Carille.

E deu certo! Um time que tem poucas opções se tornou difícil de ser vencido. O Corinthians quase perdeu o título, após o grande primeiro turno, por falta de banco de reservas. Tirando os onze titulares, só sobram Clayson, Camacho, Pedro Henrique e olhe lá. E só isso para jogar o ano inteiro.

O time do Corinthians tem fraquezas. Que são muitas. Mas Cássio, Fágner, Pablo, Balbuena, Arana, Gabriel, Jádson e Jô seriam titulares só no Corinthians? Nenhum outro dos 19 times da Série A aproveitaria esses jogadores?

É um time de poucas opções, mas que possui um estilo, criado por Mano, melhorado por Tite e aprendido por Carille. Dá para dizer que esse time é um campeão injusto?