
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Depois da disparada inicial do Corinthians no Brasileirão, as últimas rodadas têm indicado que se há uma equipe que pode preocupar o alvinegro na competição, é o Flamengo.
Unanimemente apontado como um dos principais favoritos ao título antes do começo do Brasileiro, o rubro-negro passou por uma inesperada e decepcionante eliminação na Libertadores, que acabou trazendo uma instabilidade que prejudicou muito a equipe. Mas pouco a pouco, e principalmente após a chegada do craque Éverton Ribeiro, o Fla parece ter engrenado.
O Timão – absurdamente desacreditado antes do Brasileirão – ainda é visto com desconfiança por muitos. Se sua campanha estivesse sendo feita por Flamengo, Palmeiras ou Atlético Mineiro, todos estariam imaginando a possibilidade de estarmos diante de um esquadrão. Mas como é feita por um time que julgam “não ter elenco”, continuam desconfiando que em algum momento tudo poderá desmoronar.
E por isso, tenho visto muita gente acreditando que o Flamengo superará o Corinthians por supostamente ter mais elenco.
Não quero aqui discutir quem tem mais chances de ser campeão. Quero questionar a unanimidade sobre a diferença dos elencos.
Creio que é indiscutível que no banco de reservas o Mengão oferece mais opções qualificadas. Por outro lado, comparando times titulares, o do Corinthians me parece mais equilibrado entre os setores, contando com jogadores de seleção como Cássio e Fagner. E se Trauco é da seleção peruana, Balbuena é da paraguaia.
Mas é especialmente pelas grandes contratações do Flamengo que a sensação é de que há uma disparidade: Guerrero, Diego, Conca e Éverton Ribeiro foram contratações bombásticas e que geraram muita repercussão e expectativa.
O argentino Conca é, até aqui, praticamente virtual no clube. Já Éverton Ribeiro, Diego e Guerrero têm dado motivos para a nação rubro-negra se animar.
Mas merecem mesmo ser colocados como algo que o Corinthians não tem? Por acaso o trio Jadson, Rodriguinho e Jô não têm feito um trabalho digno de fazer a Fiel corintiana sonhar?
Pois vamos à comparação entre eles:
Éverton Ribeiro e Jadson têm muito em comum. Jogadores menos reconhecidos do que merecem, são vencedores discretos e “facilitadores”, tipos que fazem a equipe inteira crescer. O primeiro está mais badalado (até mesmo pela contratação milionária), fez história no Cruzeiro e tem tudo para em breve ser chamado por Tite. O segundo foi campeão por onde passou, participou de Copa América e Copa das Confederações pela Seleção e na minha opinião foi o craque do Brasileirão 2015. Adoro os dois, mas acho Éverton Ribeiro ainda melhor do que o ótimo Jadson.
Diego e Rodriguinho têm trajetórias totalmente opostas e por isso é o duelo que mais deve causar polêmica. Enquanto Diego teve um começo arrasador, fazendo história com Robinho no Santos e depois construindo uma longa e mediana carreira na Europa, Rodriguinho apareceu como um meia cobiçado e promissor no América Mineiro, decepcionando no Corinthians e no Grêmio (onde teve pouco tempo), até se firmar tardiamente em 2016, já sem expectativas. Enquanto Diego faz no Flamengo o que dele se esperava, Rodriguinho segue crescendo no Corinthians e chegou a ser apontado por Mano Menezes como o melhor jogador do país na atualidade. Ambos têm sido convocados por Tite e estão no bolo que disputa uma vaga para a Rússia em 2018. Hoje eu me inclino pelo poder de decisão e agudez de Rodriguinho.
Guerrero e Jô são muito parecidos. Ambos são completos, “encardidos” – do tipo que fazem o gol decisivo -, são fantásticos pivôs, sabem jogar fora da área, compõem taticamente e não são goleadores “artilheiros de campeonato”. A diferença é que enquanto Guerrero tem uma trajetória mais regular, sempre jogando bem (seja na Alemanha, Corinthians, seleção peruana ou Flamengo), Jô alterna fases de altos e baixos – especialmente por razões extracampo – com contrastes como ser dispensado pelo Inter, ter sido a então contratação mais cara da história do Manchester City, ou participar de Copa do Mundo pela Seleção. Com este Jô eu realmente não consigo me decidir, dou empate.
Mas, independentemente de preferir um ou outro trio, a questão que quero levantar é: realmente há esta discrepância pintada por muitos? Para mim está mais do que claro que não.