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Sabemos bem que o mundo do futebol não precisa da Fifa para respirar e que, na verdade, ela mais atrapalha do que ajuda, mas fato é que muitos times brasileiros viram seus “Mundiais” descaracterizados, como se isso rebaixasse seus títulos, coisa que particularmente desconsidero. Se hoje o título mundial é o auge para uma equipe sul-americana, o mesmo valia para os Intercontinentais até o final de 2004. Ou seja, é claro que ambos se equivalem.
Mas, polêmicas à parte, não é por isso que escrevo. Há algo diferente que tem me chamado a atenção, um problema muito maior: o equilíbrio entre sul-americanos e europeus. Se durante as Copas Intercontinentais a América do Sul batia de frente com a Europa, tanto em número de conquistas quanto em nível de atuação, após a criação pela Fifa do Mundial de Clubes esse equilíbrio pareceu ruir.
De início, parecia até que ruiria pro lado de lá, já que em suas três primeiras edições os vencedores estavam aqui, mais especificamente no Brasil – Corinthians (2000), São Paulo (2005) e Internacional (2006).
Parecia.
De 2007 até aqui, a Europa esmaga! Em dez edições, apenas em 2012 um time sul-americano conseguiu o tão sonhado título mundial, novamente o Brasil, novamente o Corinthians. Nas outras nove, a Europa sobra. E o desequilíbrio fica ainda mais gritante quando percebemos que, dos nove títulos, três foram contra times de outro continente que não a América do Sul – África (2010 e 2013) e Ásia (2016). Isso é, nosso futebol se equivaleu a centros menores e se distanciou dos grandes clubes europeus.
Uma lástima.
Mas o cenário fica ainda pior quando pensamos que essa distância só aumenta. Por mais que montemos bons times, é difícil de imaginar que destronaremos a Europa em alguns dos próximos anos, principalmente porque, diferente do que é espalhado por aí, os clubes europeus têm dado cada vez mais valor à competição – vide a agonia e o posterior alívio do Real Madrid após o sofrido título contra o Kashima Antlers no ano passado e o choro de Pep Guardiola após seu primeiro mundial em 2008 com o Barcelona.
Já escrevi aqui, em outra oportunidade, sobre vexames brasileiros. Mas até mesmo o melhor e mais simpático time do continente, o Atlético Nacional, não foi páreo para os japoneses. Sim, os japoneses. 3 a 0! Sem choro nem vela.
Enfim, deixemos de lado a discussão sobre nomenclaturas. Isso é desimportante. Voltemos a pensar no nível do nosso futebol.