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No Ângulo | Futebol é preciso

Nilson, Ronaldo Mendes e o “Match Point” da vida

10/05/2016

Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo

“O homem que disse: ‘prefiro ter sorte a ser bom’, entendeu o significado da vida. As pessoas temem ver como grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar que boa parte dela foge do nosso controle”.

“Há momentos em que a bola bate no topo da rede e por um segundo ela pode vir para o outro lado ou voltar. Com sorte, ela cai do outro lado e você ganha. Ou talvez não e você perde”.

matchpoint

São com essas mensagens sobre a sorte que o genial Woody Allen inicia Match Point, longa estrelado pela bela Scarlett Johansson e por Jonathan Rhys Meyers, que, em apertado resumo, mostra a vida de Chris (Meyers), um ambicioso tenista que vê o seu destino sendo determinado por pequenos acontecimentos casuais, que acabam por conspirar a seu favor ou não, tal como quase tudo na vida.

Ou seja, para se ter sucesso, o filme defende que é preciso mais do que o esforço em si ou a simples iniciativa de tentar, já que as situações estariam fora de nosso alcance, além da força de vontade, esforços ou até da qualidade de cada um (e veja como isso faz sentido, apenas pense em quantas pessoas competentes você conhece e que estão desempregadas. Muitas delas até mais capacitadas do que outras bem colocadas profissionalmente).

Frente a esse raciocínio, o “fator sorte” assume forma e vira o protagonista dos acontecimentos, sejam eles para o bem ou para o mal.

Minha opinião? Acredito no trinômio “esforço”, “competência” e… “SORTE”. Ahhh, como esta também é importante…

Trazendo esse pensamento para o futebol, a razão de ser destas linhas, analisemos a trajetória de dois jogadores com histórias ligadas ao Santos: Nilson e Ronaldo Mendes.

nilsonNilson, que, segundo consta, é um bom centroavante, chegou à Vila Belmiro em 2015 avalizado por ninguém menos do que Serginho Chulapa. O jogador fez bons treinos pela equipe e foi sendo escalado aos poucos por Dorival Júnior. Eis que, ao final da temporada, Nilson protagonizou uma das cenas mais comentadas do futebol brasileiro no último ano: aquele gol perdido (imperdível) contra o Palmeiras no jogo de ida da final da Copa do Brasil, que custaria, na opinião de muitos, o título ao Santos (algo cruel, já que poucos comentam que Gabigol perdeu um pênalti no primeiro jogo e que Modesto Roma alterou as datas das finais no momento em que o Santos praticava o seu melhor futebol na temporada). Nilson não teve sorte. Estava no lugar errado e na hora errada. O que ficou ainda mais agravado pelo fato de o Santos não ter se classificado para a Libertadores via Brasileirão. Ele foi o bode expiatório do fracasso santista em um final de ano que prometia muito.

Já Ronaldo Mendes, aparentemente também um bom jogador (fez ótimo jogo contra o Santos-AP, pela Copa do Brasil, com direito a golaço), vem aparecendo na atual temporada e jogou as duas partidas finais do Campeonato Paulista (na primeira, marcou mais um belo gol, em um petardo de fora da área). Como é sabido, o Osasco Audax deu muito trabalho ao Santos e o título foi conquistado a duras penas pela equipe da Baixada. Quando o Santos vencia por 1×0 o jogo da volta (assim como vencia quando Nilson perdeu o tal gol imperdível contra o Palmeiras), Ronaldo Mendes perdeu um gol não menos inacreditável. A diferença? O Santos conquistou o título e aquele gol não fez falta. A situação acabou passando batida, com quase ninguém comentando. Tanto assim o é, que sequer consegui uma imagem na rede para postar o “feito” de Ronaldo Mendes, à-la Nilson. Para completar o ciclo de sorte do novo meia santista, se Ricardo Oliveira pouco largou o osso para Nilson em 2015, a contusão de Lucas Lima (e também a sua convocação para a Seleção Brasileira) abre espaço para que o sortudo Ronaldo Mendes brilhe pelo Santos nesse Brasileirão que se inicia.

No “match point da vida”, Ronaldo Mendes vem dando sorte.

Já Nilson, bem, que ele encontre o seu caminho e não sofra mais do que injustamente já sofreu.

Agora uma última reflexão: imagine o leitor se o agora treinador Deivid tivesse perdido um gol no início de sua carreira como aquele famoso que ele perdeu atuando pelo Flamengo, quando já era um jogador consagrado. Será que ele teria tido a mesma sequência profissional repleta de glórias e conquistas em clubes grandes que teve? Teria ele tido as mesmas chances?

E segue o jogo.

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E há quem ainda critique Dorival Júnior no Santos?