
Créditos da imagem: Pedro Vilela / Light Press / Cruzeiro
Discordo quando vejo muita gente da imprensa atacando a diretoria do Cruzeiro pela situação do técnico Paulo Bento.
A verdade é que os cartolas estão cumprindo a obrigação de serem pacientes com o português. Ao se criticar a diretoria desde já, simplesmente é dada a oportunidade de que ela acerte: se mandá-lo embora, dirão que “como sempre, a corda estoura do lado mais fraco, e não se resolve a falta de planejamento do clube”; já se o mantiver, as críticas seguirão a responsabilizando pela má situação do time.
Em cada “Tite mantido em 2011 pós-Tolima para ganhar o mundo em 2012”, vai haver um momento de turbulência em que tudo parecerá errado, e é justamente nele em que a calma é necessária.
É evidente que a diretoria errou sem parar. Fez uma aposta (o que eu acho que deve ser louvado) que fracassou – Deivid – e teve a bem-vinda ousadia de contratar o português. O problema é que foi com o Brasileirão já começado, ou seja, sem que ele tivesse tempo para fazer um trabalho mais profundo com o elenco. Para piorar, segue contratando jogadores até agora, o que só ratifica a falta de planejamento. Mas ele também aceitou vir nessas condições.
E sejamos sinceros: trapalhadas do tipo infelizmente são norma no Brasil. Basta vermos o Flamengo, contratando até agora e com um técnico recém-efetivado, ou o São Paulo, sendo desmanchado em meio ao campeonato. Casos como de Corinthians, Grêmio e Santos são exceções em um país em que a própria Seleção avacalha as competições.
Vendo à distância, tenho a nítida impressão de que o Cruzeiro queria novidades no comando técnico. Após perder Mano Menezes para a China, contra a vontade, tentou Deivid, treinador iniciante, que como atleta foi comandado por grandes nomes e teve experiência internacional. Ao ver que não deu certo, apostou em algo que ansiávamos há tempos no Brasil: um técnico europeu considerável.
Tenho certeza de que a diretoria tinha a intenção de mantê-lo para o ano que vem, para que fizesse uma pré-temporada adequada, já mais ambientado ao futebol brasileiro. Se estivesse fazendo uma campanha mediana, ninguém cogitaria que fosse demitido. Mas é evidente que o risco de um inédito rebaixamento pode pôr tudo a perder, e a diretoria não titubeará se tiver que cortar a cabeça do português para tentar manter o clube na Série A.
E eu concordo com isso, afinal, não é possível ver o time se enroscando com a Série B e não fazer nada para mudar.
A questão agora é: até onde ir com Paulo Bento?
Penso que ele merece como prazo, caso continue sempre próximo ao limite do Z4, pelo menos o final dos Jogos Olímpicos, na 21ª rodada (ou seja, mais 18 pontos em jogo). Assim, um eventual novo técnico teria ainda 17 rodadas para evitar o descenso, estreando contra o Santa Cruz no Mineirão (provável confronto direto) e tendo semanas cheias de trabalho para seus dois primeiros jogos (o outro seria o América-MG, no Horto).
Se conseguir se afastar minimamente do Z4, eu manteria o gajo para 2017 independentemente de qualquer outra coisa. E a Copa do Brasil tampouco afetaria a decisão, nem para o bem, nem para o mal.
Já se começar a afundar entre os 4 últimos, ficando a mais de 4 pontos (duas rodadas, portanto) de escapar do Z4, neste super competitivo Brasileirão, bem, aí acho que é o caso de precipitar a mudança de ares. Com essas coisas não se brinca.