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No Ângulo | Futebol é preciso

Será que as chuteiras coloridas e os cortes de cabelo prejudicam o futebol de alguns “craques”?

13/11/2016

Créditos da imagem: esporte.ig.com.br/

Fundada em 1970, projeto antigo e de olho na Copa que seria disputada no México, a revista Placar, por proposta do Michel Laurence e do Manoel Mota, logo instituiu o troféu Bola de Prata para premiar os 11 melhores em cada posição no Brasileirão. Ao saber que não ia receber o mimo, Pelé “reclamou” com Michel, por quem tinha muito carinho.

A reclamação foi colocada em pauta e logo veio a solução. Por todos os seus incontestáveis méritos, Pelé receberia não uma Bola de Prata, mas a Bola de Ouro – que depois passou a ser conferida ao jogador que alcançasse a maior média – de acordo com o regulamento etc.

No almoço para entrega do troféu aos ganhadores, realizado no roof da Editora Abril, na Marginal Tietê, Pelé apareceu vestindo um vistoso summer roxo, com detalhes em preto ao longo da lapela. Quando chegou, Paulo César “Caju”, elegante em terno de linho branco, camisa azul clarinho, não perdoou: “Só você mesmo, Pelé, pode sair de dia vestido como São Benedito que fugiu da Igreja e não ser preso”. Todos, naturalmente, riram da brincadeira, e o almoço transcorreu em clima de festa.

Assim como tinha intimidade bastante para brincar com Pelé, Paulo César tinha futebol de alto nível, o que dava a ele o “direito” de pintar o cabelo, falar coisas e até frequentar a noite carioca – sem os exageros, que confessa, ao se envolver na parisiense.

Na mesma época, veio de Minas para o Corinthians o ponta-esquerda Romeu, que por seu futebol nada exuberante, tinha o “direito” de dar cambalhotas quando marcava um gol, mas não de oxigenar os cabelos, curtidos em trancinhas. Romeu Cambalhota estava longe de ser um craque para ganhar o “direito” de lançar moda.

O técnico Osvaldo Brandão também pensava assim e, para lembrá-lo de que devia voltar para marcar o lateral adversário quando o time era atacado, levava – ou fingir levar – no bolso uma chave de apertar parafusos. E, do banco, gritava para Romeu, fazendo os gestos de quem estava usando a ferramenta.

Como Caju e Cambalhota, muitos jogadores, cada vez mais buscando chamar atenção, pintam e cortam o cabelo em estilos diferentes, deixam crescer, fazem coque….. as chuteiras deixaram de ser pretas, discretas, e os braços ganharam tatuagens as mais diversas. Tantas, que às vezes é difícil encontrar um pedacinho para mais um traço.

É a moda, cada vez mais presente. Neymar já não tem muito espaço para novas obras de arte – acho que li qualquer coisa sobre o pai dele criticar o exagero. E repararam que ele influenciou Messi? Cabelo pintado, barba longa, tatuagens…. influência à parte, Messi tem todo “direito”, assim como Neymar e um bom número de craques espalhados pelo mundo.

Mas, cá entre nós, o que tem de perneta dando uma de Romeu Cambalhota não está escrito. Parecem-me quadros ruins com molduras caras. Pardais passando por canários belgas. Agridem a bola com suas chuteiras coloridas e passam a sensação de que cabeceiam mal porque o corte do cabelo atrapalha.

Calma, muita calma, amigo, nada contra, nada de preconceito. Só uma observação e um jeito de contar algumas histórias.