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Há um burburinho na imprensa de que Flamengo e Cruzeiro estariam de olho na contratação do ídolo santista Robinho.
Marisa Alija, representante do atleta, nega qualquer contato com as equipes carioca e mineira e afirma que a prioridade é a renovação com o alvinegro praiano. Tomara!
Explico: sob o ponto de vista de representatividade, sem qualquer comparação técnica, penso que Robinho está para o Santos (ao lado de Pelé e Neymar) assim como Zico e Júnior estão para o Flamengo e Tostão e Sorín para o Cruzeiro. Na mesma linha, Raí e Rogério Ceni para o São Paulo; Roberto Dinamite para o Vasco; Ademir da Guia e Marcos para o Palmeiras; Garrincha para o Botafogo; Reinaldo para o Atlético e por aí vai.
Os jogadores listados são apenas alguns de um seleto grupo que os torcedores reverenciam e guardam com carinho no seu imaginário. Trata-se, portanto, de um privilégio e uma responsabilidade, considerando-se que, embora totalmente profissionalizado, a razão de ser do futebol é e sempre será a paixão. Afinal, o que seria do esporte sem as saudosas memórias de lances inesquecíveis – qual santista não enche o peito de orgulho ao lembrar e comentar as pedaladas de Robinho na conquista do título do Brasileiro de 2002? – e o carinho e a gratidão pelos ídolos?
E paixão se constrói justamente com eles, os “jogadores-símbolo”, que com demonstrações de amor que teimam em resistir ao mercantilismo dos novos tempos, desafiam convenções e recolocam o romantismo no futebol.
Paixão que emociona e comove, como Carlitos Tévez demonstrou ao ventilar uma possível volta imediata ao Boca Juniors – por quem sente um declarado amor – bem no auge de sua carreira (é o protagonista de um dos finalistas da corrente UEFA Champions League, a Juventus da Itália, que enfrentará o poderoso Barcelona na decisão).
Por falar na “Velha Bota”, como é bacana poder testemunhar a longeva e fiel história de Totti na Roma, de Buffon na Juventus e, por que não? – voltando ao cenário nacional – de Robinho no Santos.
Entendo que além da carreira bem sucedida e independência financeira, o fator felicidade – tão pouco comentado nas transações – deveria ter um peso maior nas avaliações dos administradores de carreira dos atletas. Ora, imagine a qualidade de vida que esses jogadores que acabei de listar têm nas cidades dos clubes em que atuam? Devem ser tratados a pão-de-ló, sendo mimados e venerados por todo canto.
Afora isso, com a relação clube-jogador consolidada, penso que todos acabam sendo beneficiados também mercadologicamente, uma vez que podendo contar com jogadores icônicos, as equipes tendem a ser mais fortes e, por extensão, também o campeonato do qual participam. Sem falar no marketing, que, se bem explorado, pode alavancar sensivelmente o programa de sócio-torcedor e tornar-se uma rentável fonte de receita.
Em outras palavras, com os clubes respeitando uns aos outros e não assediando os atletas rivais (e aqui me refiro aos jogadores realmente identificados, nem sempre necessariamente craques da bola, como por exemplo o Vampeta, que é a cara do Corinthians), todos saem engrandecidos.
Por essas e outras que acredito que o melhor para a carreira do Robinho seria fincar de vez suas bases na Baixada Santista (naturalmente, desde que o clube faça a sua parte e pague o que lhe é devido), tentar estabelecer novos recordes (faltam menos de 30 gols para chegar em Neymar – o atual recordista com 138 – como maior artilheiro do Santos da “Era Pós-Pelé”) e consolidar ainda mais a sua idolatria no clube que ama e é amado.
O futebol agradece.
E segue o jogo.