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No Ângulo | Futebol é preciso

Sem egoísmos: Sport e Flamengo foram campeões em 1987, não importa o STF

26/04/2017

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

A interminável polêmica sobre o título brasileiro de 1987 foi reaquecida na última semana, com a decisão do STF – Supremo Tribunal Federal – de manter o Sport como único campeão. Desde então, dirigentes do rubro-negro carioca e do pernambucano têm dado declarações polêmicas sobre o assunto e suas apaixonadas torcidas continuam em guerra por se declararem “a real campeã de 1987”.

É compreensível que os clubes busquem o reconhecimento legal da conquista, mas não vejo razão para tanta inimizade e “egoísmo” para, além da questão jurídica, definir que há apenas um campeão.

Por acaso há uma polêmica do tipo entre Corinthians (campeão do primeiro e quase “experimental” Mundial de Clubes da FIFA em 2000) e Boca Juniors (campeão da tradicional e não-oficial Copa Intercontinental) para definição do “real campeão mundial de 2000”? Não, e embora haja diferenças entre os casos, acho que é essa a postura correta. Cada um desses clubes e suas torcidas são correta e merecidamente orgulhosos de suas conquistas.

Do ponto de vista flamenguista, é incontestável que o Flamengo passou pelo maior desafio técnico, enfrentando as equipes mais tradicionais do país. Tampouco se pode penalizar o rubro-negro carioca pela decisão conjunta entre os “coirmãos” do Clube dos 13 de que os finalistas do Módulo Verde (o dos maiores clubes do país) – Flamengo e Inter – não enfrentariam os do Módulo Amarelo (Sport e Guarani).

Não são necessários mais do que alguns jornais da época, ver o VT do jogo ou a comemoração do título, para que se entenda que não é possível classificar o título flamenguista como qualquer coisa diferente de “campeão brasileiro”.

Mas por mais que a Copa União tenha tido uma origem nobre, fazendo de maneira vanguardista o que desejamos até hoje que é ver os clubes organizando seu campeonato e abandonando a nefasta CBF, nunca se pode desconsiderar o merecimento técnico, como o Clube dos 13 fez.

Muitos quiseram tratar como se o Módulo Verde (do Flamengo) fosse a primeira divisão e o Módulo Amarelo (do Sport) a segunda, mas isso é absolutamente falso. Só para exemplificar, com suas 16 equipes, o Módulo Verde não contava com as seguintes equipes que estavam entre os 16 primeiros em 1986: o então vice-campeão, Guarani; o 4.º, América; o 9.º, Criciúma; a 11.ª, Portuguesa; a 12.ª, e campeão paulista no ano anterior, Inter de Limeira; e o 14.º, Joinville.

Por mais que se desejasse uma liga dos clubes, é necessário um mea-culpa em relação a isso. Não é admissível que equipes durmam na primeira divisão e acordem em uma suposta segunda divisão, unicamente porque outros clubes resolveram se auto-segregar e não deram nenhuma oportunidade para que pudessem disputar o título. E o Sport fez o que estava ao seu alcance para poder ser campeão da primeira divisão de 1987, competição que fez por merecer disputar.

Estranhamente, a CBF em 2011 tomou uma decisão correta: considerar os dois campeões. E sou contra “unificar” campeonatos, discordo totalmente da equiparação que a CBF fez entre Taça Brasil-Robertão-Brasileirão. Mas neste caso de 1987, um é indissociável do outro.

Juridicamente, não vejo outra alternativa que não dar o título ao Sport, visto  que ele não se recusou a enfrentar ninguém, como o Flamengo o fez.

Mas que se danem “Taça das Bolinhas”, STF ou o que diz “aquele” jornalista que crava que só há um campeão. Cada um sabe o que viveu e o orgulho que sentiu, e é só ver as fotos para perceber que dois elencos e torcidas foram felizes em 1987 e não têm responsabilidade nenhuma para que deixassem de ser.