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No Ângulo | Futebol é preciso

Santos x Palmeiras e o prazer da decisão

24/04/2015

Créditos da imagem: globoesporte.com

Santos e Palmeiras começam, no próximo domingo, a decisão do Campeonato Paulista.

Finalmente o maior momento, o clímax, a hora que todos esperam, chegou.

As críticas ao regulamento, as deficiências dos times, tudo fica em segundo plano. É chegada a hora do torcedor jogar junto, vestir sua camisa orgulhoso e enaltecer a sua equipe e os seus jogadores. Agora é permitido até ser fanfarrão e soltar pérolas como “na nossa casa ninguém ganha da gente” e outras do gênero.

Hora também dos derrotados torcedores de Corinthians e São Paulo fazerem “pouco caso” da competição estadual, embora, no íntimo, desejassem que seus times estivessem participando da final. Rivalidade sadia e gostosa.

Como vai ser bonito de ver na partida de ida o novo estádio do Palmeiras acolher a sua primeira decisão (fala-se em renda de cinco milhões de reais (!), um recorde brasileiro em competições estaduais). Aquele sentimento do torcedor de que está fazendo parte da história do seu time, o trajeto pela cidade, o desfile de bandeiras nos carros na Avenida Paulista, passando pela Sumaré, sentido Barra Funda, com destino à Rua Turiaçú (ou Palestra Itália, conforme o rebatizado recém-autorizado pela Prefeitura de São Paulo). Vai ser de arrepiar.

Da mesma forma, no jogo da volta, certamente emocionará a mobilização da cidade de Santos, que sempre fica com uma atmosfera mágica em dias de grandes jogos da equipe local. A avenida da praia, os acessos aos canais, os bares nas ruas, o buzinaço. Que clima gostoso!

Ah, o futebol. Quem o ama sabe perfeitamente a sensação única que ele nos proporciona.

Bom, falemos agora do que pode acontecer dentro de campo. Embora veja o Santos com um time hoje mais encorpado e definido (a única derrota no ano foi sem o seu craque Robinho, na partida contra a Ponte Preta, em Campinas) que o do Palmeiras, vejo a equipe alviverde crescendo na hora certa e com cara de campeã. Explico: com a formação do segundo tempo que enfrentou o Corinthians – time leve com Cleiton Xavier e Valdívia em campo -, o Palmeiras conseguiu, por alguns momentos, colocar o seu adversário (a quem julgo ter o melhor sistema defensivo do país) na roda, lavando a alma dos seus torcedores, o que acabou sendo sacramentado com a defesa do Fernando Prass no chute de Petros, que determinou a classificação verde às finais da competição, eliminando o rival com a melhor campanha do torneio até então.

Assim, penso que o Palmeiras entrará “voando” no primeiro jogo, em sua casa, até pelo investimento feito e expectativa criada pela torcida (o que dá um peso e responsabilidade maiores à conquista pelo Palmeiras em relação ao Santos), e poderá, no caso de uma tarde inspirada, encaminhar o título.

Caso não consiga obter uma vantagem, vejo o Santos muito ciente do que quer, sendo um time brioso que há muito não se via lá pelos lados da Vila e com um quarteto ofensivo muito talentoso (na minha opinião, Lucas Lima, Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira formam o ataque com maior poder de fogo do país, com peças que se complementam). Se não sucumbir à pressão do adversário – que promete ser infernal no Allianz Parque -, o “Caldeirão da Vila” também promete ferver.

Tomara que Zé Roberto e Robinho estejam inteiros (estariam se recuperando de problemas musculares) e façam um grande clássico, até pelas belíssimas carreiras que tiveram e pelo futebol refinado que sempre desfilaram nos gramados mundo afora. De se lamentar a lesão e ausência (mais uma!) do polêmico Valdívia.

Uma curiosidade: o Santos vai jogar as finais estampando em sua camisa o “Museu Pelé”, a mais nova atração turística da cidade. Que a parceria que tanto deu certo dentro de campo possa ajudar a reerguer e alavancar as finanças do clube. Com a imagem atrelada ao maior de todos os tempos, o alvinegro praiano só tem a ganhar.

Enfim, que vejamos duelos emocionantes, que as equipes tratem bem a bola, e que vença o melhor!

E segue o jogo.