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No Ângulo | Futebol é preciso

Pra espantar os fantasmas, Palestra!

26/03/2015

Créditos da imagem: terra.com.br

Existem resultados que são marcantes do fim ou início de uma era. Um caso marcante que sempre me lembro é um São Paulo 0 x 2 Palmeiras no Morumbi, no final de 1993 (o jogo do golaço do César Sampaio) . Ali, era como se o Palmeiras estivesse tomando do São Paulo o bastão de “melhor time do país”, o que efetivamente veio a se confirmar nos anos seguintes.

Tive a mesma sensação de “fim de ciclo” ao ver o Palmeiras arrasar o São Paulo por 3 x 0 no Allianz Parque. A equipe se impôs desde o primeiro minuto, continuou atacando após abrir o placar (mesmo antes da expulsão de Rafael Tolói) e poderia ter feito uma diferença de gols ainda maior se caprichasse mais nas finalizações.

Por mais que eu ache que o Palmeiras ainda não lutará por títulos de primeira grandeza neste ano, creio que fará boas campanhas e, dependendo do encaixe de Cleiton Xavier e eventuais novos reforços (fala-se no meia chileno Francisco Arancibia, do O’Higgins), poderá surpreender. Mas, acima de tudo isso, está a reconstrução do clube.

Após o tenebroso ano de 2014, o alviverde estava feito terra arrasada. Neste ano, o mais importante é a reconquista do respeito: voltar a incomodar os adversários (como já havia feito na contratação de Dudu, que frustrou os arquirrivais Corinthians e São Paulo) e formar uma boa base para o ano que vem, que com reforços pontuais, poderá alçar os voos à altura da grandeza palestrina.

Não me lembrava a última vez em que o Palmeiras goleou um rival. Mas não foi “somente” uma vitória contundente: o Palmeiras jogou muito bem, tocou a bola com consciência, teve o golaço do ano no futebol brasileiro – marcado por Robinho (um dos melhores jogadores do campeonato) – com bom público, torcida animada e a primeira vitória em clássico nesse estádio de nível mundial.

Ainda que se possa alegar que as circunstâncias foram todas favoráveis para o resultado (gol logo no início e a não expulsão do Dudu na jogada com o Tolói), a equipe se portou exemplarmente, e o palmeirense sabe melhor do que ninguém que as circunstâncias vinham sendo sempre contrárias nos últimos tempos. Vitórias como essa são fundamentais para dar confiança à torcida e elenco, assim encorpando o time.

Com lideranças como Fernando Prass e Zé Roberto (pra mim o melhor reforço alviverde do ano), o comando sereno de Oswaldo de Oliveira, e as boas perspectivas financeiras vindas do Allianz Parque e do programa de sócios torcedores Avanti (aliás, quantos novos inscritos terá depois da vitória emblemática?), tenho a certeza de que os fantasmas recentes foram exorcizados e que o Verdão está nos trilhos para em breve voltar a ser a potência que sempre foi.