Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

Por que será que a Seleção vem se mostrando outra?

08/10/2016

Créditos da imagem: espn.uol.com.br

Afinal, quem teria dito antes de Fernando Pessoa, o festejado escritor (se é que alguém disse), que “navegar é preciso, viver não é preciso”?

Já li e já ouvi que assim diziam os velhos marinheiros que, tomados pelo espírito aventureiro, uma dose enorme de curiosidade e sob a proteção dos reis de Portugual, deixavam a santa terra em busca de outras mais, desconhecidas, muito longe de lá.

Neste caso, o “preciso” teria menos a ver com a necessidade e muito com a “precisão”, cálculos exatos, margem mínima de erros, ou nenhum, para que não se tivesse como objetivo alcançar as Índias e não as nossas índias.

E a vida, como todos sabemos, até tem data certa para ser iniciada, mas não para ser encerrada. O fim da caminhada é impreciso.

Aceitando como válida a ideia de que os velhos marujos assim falavam, permito-me lembrar que, entre tantas tiradas preciosas, dizia Oto Glória, técnico brasileiro que brilhou em Portugal (lembram-se que foi com ele no banco que Coluna e cia meteram 3 a 0 pra cima da gente, na Copa de 1966, na Inglaterra?): “quando o time ganha, o técnico é bestial, quando perde, não passa de uma besta”.

Por enquanto, após três jogos da Seleção Brasileira sob seu comando – três vitórias, dez gols marcados, apenas um sofrido -, futebol leve e solto, que dá gosto de ver, pelas Eliminatórias para a Copa da Rússia, em 2018, Tite vai recebendo o carimbo de bestial.

Bom lembrar que Tite assumiu após campanha pífia sob o comando de Dunga, numa posição que, se fosse a final, deixaria o Brasil de fora, pela primeira vez.

Continuará ele um técnico bestial até a bola começar a rolar no belo estádio Vladmir Illich Lenin? Melhor ainda, continuará até que ela vire troféu nas mãos de um capitão – que seja do nosso -? Ou nas caminhadas, de agora ou de depois, se tornará apenas mais uma besta?

Como o futuro a Deus pertence, não sei eu, não sabes tu, não sabe ninguém. Por isso, o que me encuca é descobrir onde arquivaram aquelas tão tradicionais desculpas – ou não devo tratar assim as explicações que eram – voltarão a ser ?- dadas quando a Seleção, sob o comando deste ou daquele professor, empatava ou perdia jogos: “é natural, o time está se formando. Não teve tempo para treinar. Os jogadores se encontraram no aeroporto…”.

O que mudou para provocar o arquivamento? O tempo para treinamento não foi. As viagens continuam cansativas.

Sim, mudaram alguns nomes, ou vários, entre os antes convocados. Chagaram jovens que ganharam a Olimpíada. Mudou a comissão técnica. Mudou o discurso do professor – o novo até autorizou Neymar cavar um amarelinho contra os bolivanos, fugindo do jogo na Venezuela. Seria o bastante?

Não, longe de mim lembrar que vassoura nova varre bem e rápido no início, mas que com o tempo…

Classificar para um Mundial na América do Sul – quatro e uma repescagem entre 10 seleções – é dever, e não há dúvida de que o time melhorou muito, mesmo com a “falta de tempo para treinar”.

Mas estamos longe…