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No Ângulo | Futebol é preciso

Por que o “chinês” Renato Augusto pode ser convocado e Paulinho não?

30/08/2016

Créditos da imagem: ESPN

Após a primeira convocação de Tite para a Seleção Brasileira, vi muita gente contestando a convocação do volante Paulinho, ex-Corinthians e hoje na China, tratando-o como “jogador de confiança de Tite”, tal como se fosse um Leomar (lembram-se dessa invenção de Emerson Leão?) da vida.

Eu, pessoalmente, não convocaria Paulinho para a Seleção. Penso que é o melhor segundo volante brasileiro, mas que não merece vestir a “Amarelinha” pela opção que fez de ir à China, priorizando o lado financeiro em detrimento do esportivo. Pelo mesmo motivo, não convocaria nomes como Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Diego Tardelli, que fatalmente estariam na minha lista pelo que jogam.

Da mesma maneira, Renato Augusto e Gil tampouco estariam na minha lista. Jogam na China tal qual Paulinho, a única diferença é que estamos acostumados com eles na Seleção. Outro dia mesmo Renato Augusto (de quem eu gosto e, se atuasse no Brasil, provavelmente estaria na minha lista) estava sendo vaiado pela torcida. Não é possível que a boa atuação na parte final das Olimpíadas (que, relembre-se, é uma competição Sub-23) o transforme agora em uma unanimidade, como se atuasse em algum centro de alta competitividade.

Muita gente diz “não se sabe como o Paulinho está”. Oras, quem diz isso não sabe, assim como eu. Mas quem disse que a comissão da Seleção não sabe? Na coletiva o Tite disse que se informou sobre esses jogadores. E, até que se prove o contrário, não temos porque duvidar de sua palavra.

Resumindo: não vejo qualquer diferença entre convocar Renato Augusto e Paulinho para a Seleção. Ambos são ótimos jogadores (penso que Paulinho é inclusive superior) e, infelizmente, atuam na China.

Considero que esta é uma questão que precisa ser definida no nosso futebol: continuaremos contando com jogadores de ligas periféricas como China, Catar, Rússia e Ucrânia? Eu não contaria. Creio que quando o jogador decide ir para lugares assim, está abrindo mão do comprometimento e da ambição profissional, além de se habituar a um dia a dia em mais baixo nível.

Mas admito que outro dia ouvi um jornalista em um debate na Rádio Jovem Pan (não sei quem foi) trazer um ponto muito interessante: que temos que reconhecer a emergência desses mercados, e que na Copa de 98 tínhamos os dois volantes titulares, Dunga e César Sampaio, atuando no Japão. Faz sentido.

E você, convocaria ou não jogadores desses centros emergentes?