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No Ângulo | Futebol é preciso

Paulo Nobre, ainda falta mais para ser um Palmeiras moderno

16/09/2016

Créditos da imagem: esportes.R7

Eu tinha um amigo chamado Paulo, meu vizinho que sempre ia a minha casa. Assim como eu ia à dele. O Paulo era palmeirense roxo. Minha família era corintiana. Continuamos corintianos e o Paulo, eu acho, ainda é meu amigo, apesar dos anos de distância.

Na final do Brasileiro de 1976, o Corinthians enfrentou o grande Inter de Falcão e Carpegiani. Perdeu por 2 a 0, mas o Timão fez um papel bonito. Lembre-se que, em 1976, ainda estávamos na fila de títulos, que só acabou com o Paulistão do ano seguinte. Estávamos eu, meu pai e meus irmãos vendo o jogo e torcendo pelo Corinthians.

Paulo foi chato, ironizando nosso time a cada jogada e tirando sarro de todos nós. Os corintianos da família Figueiredo se olhavam como quem falava: “quem trouxe esse cara?” ou “que sujeito chato”. Mas nada fizemos. O Corinthians perdeu, o Inter foi campeão e o Paulo encheu o saco o jogo inteiro.

Moral da história: não perdemos a linha e nem a amizade por causa disso. O Corinthians perde, mas não abandonaremos a amizade do Paulo, que era realmente um grande amigo.

Conto essa lembrança por causa da atitude de Paulo Nobre no jogo Palmeiras x Flamengo.

Cercado de seguranças, o presidente do Palmeiras decidiu expulsar uma pessoa que ousou comemorar o gol do Flamengo nos camarotes da arena alviverde. Por si só, a atitude já é ridícula. Querer 100℅ de adesão em um estádio que comporta 50 mil pessoas é um absurdo. Ainda mais nos camarotes que têm a participação da parceira WTorre.

Nobre se comportou como um torcedor de boteco, daqueles que chamam para briga qualquer um que não seja adepto de seu time. Agiu como um torcedor que a gente quer banir do futebol. Justo ele, que recuperou o Palmeiras, mudou a administração do clube e conseguiu patrocínios impensáveis desde a Parmalat. É o gestor que profissionalizou a equipe técnica e trouxe um monte de jogadores pra chegar ao grupo ideal.

É triste ver um dirigente que às vezes se mostra tão moderno, altruísta, palmeirense, agir como se fosse um hooligan.

Presidente, nem você nem o Palmeiras merecem essa demonstração de atraso e ignorância. Não combina com sua postura tão moderna e benéfica ao clube.