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No Ângulo | Futebol é preciso

O são-paulino voltou?

01/02/2018

Créditos da imagem: torcedores.com

A melhor notícia tricolor de janeiro foi o comportamento da torcida que foi ao Estádio do Café, Por pouco mais de noventa minutos, o São Paulo foi São Paulo. Não em campo, mas na arquibancada. Não teve apoio incondicional. Não teve compreensão. Houve, pois sim, a impaciência de quem não foi manipulado por mães de hienas e noticiário chapa-branca. Não suporto a babaquice de raiz e Nutella (quem desdenha quer comprar – e muito), porém se existe um perfil de torcedor do SPFC era o que esteve em Londrina. Inclusive por estar longe de lotar o estádio. Há quem considere isso ruim. Coincidentemente, há quem não saiba mais o que é torcer por um time grande.

Como já escrevi, não faço parte dos que se encantaram com o fato de que, na hora do aperto, o São Paulo teve mais público que em dias vitoriosos. Isso simplesmente não é normal. É fruto de uma esdrúxula “modinha de não ser modinha”. Teve origem remota numa certa dor de cotovelo com os corintianos, por conta do cartaz no rebaixamento de 2007. Até coro legendado na Globo do bando de louco eles tinham. Não surpreende que o primeiro sintoma no Morumbi tenha sido o “como eu te amo, tricolor…”, provavelmente o coro mais horroroso já criado por uma torcida brasileira. A cereja no bolo, acreditem, teria sido se o São Paulo caísse em 2017. Incitados por blogueiros, os tais “verdadeiros tricolores” definiriam o grande objetivo da temporada. Subir? Não, esse seria o secundário. O mais importante seria bater os recordes de público de corintianos e palmeirenses na série B. “Vão morrer de inveja!”. Realmente…

Como o público que lê uma coluna de meses atrás nem sempre é o mesmo hoje, às vezes tenho que me repetir com o exemplo dos clubes de Madri e suas torcidas. De um lado, o multicampeão Real Madrid e seus torcedores, tidos como os mais chatos da Europa. De outro, o bem menos campeão Atlético e seus simpáticos apoiadores. Em primeiro lugar, nem em seus dias mais simpáticos os colchoneros se auto-impuseram apoio incondicional Em segundo lugar, a chatice madrilista não é coincidência, mas consequência. Quanto mais um clube ganha, mais seu torcedor se torna exigente. Há uns trinta anos o barcelonista podia ser definido como “alegre” e satisfeito com o bordão “mais que um clube”. Depois de emplacar um ritmo de títulos como o do Real, a torcida do Barça passou a sofrer o mesmo tipo de comentário dos “críticos de torcida” (haja jornalista sem assunto) aos rivais da capital. Parabéns a eles.

Como se vê, ter um torcedor chato é a venda casada que acompanha a grandeza. Não adianta ir ao PROCON reclamar. Mesmo porque a manutenção desta grandeza depende da simbiose com a chatice. Sem isso, acontece o que se vê no Morumbi. Dirigentes soberbos repetindo erros, enquanto torcedores se proclamam “soberanos” e buscam esperanças nas falácias de quem os adestra. É a “ótima referência” sobre o jogador obscuro. É a enganação do “se jogar metade do que jogava, será um baita reforço”, quando trazem um ex-jogador em atividade. E é a mentira maior: dizer aos torcedores que o time não vem sendo campeão por culpa de suas reclamações. Deveriam ter reclamado muito mais, pois sim. Não o fizeram porque, pasme-se, muitos simplesmente esqueceram como faz. Sério. Ano passado teve leitor me perguntando como devemos cobrar. Vão precisar de manual?

Neste contexto, torço para que a postura de ontem ajude a “lembrar” como se cobra. Podem fazer isso indo ao estádio. Podem fazer não indo ao estádio. Podem fazer postando na internet. Podem fazer fechando as portas para os endereços que os preferem agindo como bobos alegres. O importante é que façam. Mostrem que não estão satisfeitos. Mandem se danar aqueles que já estão censurando a excelente conduta dos londrinenses. Mesmo com tudo isso, será muito difícil o São Paulo voltar a ser campeão neste ano. Não quero enganar ninguém. Assim como não quero enganar quando digo que, sem esta mudança, não voltará a ganhar nem daqui a cinco anos. Jogue a moda antimodinha no lixo e volte, são-paulino! Seu time precisa de você.