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No Ângulo | Futebol é preciso

O especial Tévez e o comum Robinho

02/07/2015

Créditos da imagem: Montagem de NO ÂNGULO

Todos conhecemos Carlitos Tévez e Robinho. Contemporâneos (ambos nascidos em 1984), foram revelados e tiveram destaque por Boca Juniors e Santos, respectivamente, e chegaram a se enfrentar na final da Copa Libertadores de 2003, quando o argentino levou a melhor.

Em apertado resumo de suas carreiras, podemos afirmar categoricamente que o argentino foi bem sucedido por onde passou – Boca Juniors, Corinthians, West Ham, Manchester United, Manchester City e Juventus – enquanto o brasileiro, com exceção feita ao Santos, por onde sempre brilhou e conquistou títulos, possui passagens apenas de razoáveis para boas por Real Madrid, Manchester City e Milan.

Logo, resta evidente que Tévez possui muito mais “cartaz” e mercado no futebol europeu do que Robinho, principalmente depois de ter sido um dos destaques da Juventus na última UEFA Champions League, quando se sagrou vice-campeão da competição, em campanha marcante. Afora isso, já havia sido eleito o melhor jogador da Premier League, do Calcio, do Brasileirão e do Campeonato Argentino. Um verdadeiro fenômeno, que por onde joga deixa saudade. E que está no auge.

Curioso que o destino novamente colocou os dois craques – sim, ambos são jogadores “extraclasse” – em situações parecidas na carreira. Em fim de contrato, Tévez e Robinho tiveram recentemente a oportunidade de dizer sim aos seus ditos clubes de coração. Para espanto geral do mercantilista mundo do futebol, Carlitos disse sim ao Boca Juniors, abrindo mão de cifras milionárias e da oportunidade de permanecer na Europa, o maior centro do futebol, para manifestar e atestar a gratidão pelo clube que o revelou e pela oportunidade de voltar ao país, à família e aos amigos que declaradamente ama. Já Robinho, em um momento financeiro delicado do Santos, quando o clube mais precisava dele, deu um “tapinha nas costas” dos dirigentes e da torcida e disse não poder recusar a proposta financeira literalmente “da China” que recebera.

Sem falar que o hoje ex-santista cogitou atuar em outras equipes brasileiras, uma pena para um jogador tão simbólico do nosso futebol. Alguém consegue imaginar Carlitos dando uma declaração na mesma linha? Eu não. E, como brasileiro que sou, confesso minha ponta de inveja ao ver “Veróns” (mais um craque argentino, que jogou de graça pelo Estudiantes e hoje preside o clube) e outros como Tévez despertarem e manterem a chama da paixão acesa nesse futebol cada vez mais chato e balcão de negócios que hoje infelizmente testemunhamos.

Comenta-se na imprensa que o salário de Tévez no Boca Juniors será na mesma faixa daquele a ser recebido por Guerrero no Flamengo, ambos com vencimentos bem inferiores – cerca de metade -, ao que o Santos teria proposto ao seu “ídolo”.

Robinho está no seu direito? Claro que sim. Aliás, fez o que a maioria faria. Viu os “zeros” da proposta chinesa e a tratou como irrecusável. Mas não consigo deixar de pensar que o sujeito já tem dinheiro para as futuras dez gerações de sua família, que abriu mão de ganhar quase um milhão de reais mensais pela sua amada (?) equipe, e que vivia em uma das cidades mais gostosas do Brasil, onde era tratado como um rei.

Robinho não é vilão. Apenas foi comum.

Já Tévez, sem fazer força, de maneira natural, foi especial.

E segue o jogo.

 

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