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No Ângulo | Futebol é preciso

O dia em que faltou massagista para a Seleção Brasileira

23/05/2016

Créditos da imagem: Acervo/Gazeta Press

Mais uns dias, e a Seleção Brasileira volta a jogar nos Estados Unidos, agora pela Copa América. Uma boa. Mais uma entre tantas tentativas de emplacar, mesmo, o soccer na terra da bola oval, do taco, da bola laranja na cesta, do hóquei no gelo.

Foram muitas as tentativas. Lembro-me de uma lá atrás, quando levaram daqui jogadores de categoria razoável, mas sem fama internacional, nem mesmo nacional. Lembro-me de um deles, o mineiro Warley Ornellas.

Outras tentativas modestas foram feitas, sempre pagando, também, salários modestos, jogando em estádios improvisados, para público latino. Até que os cubanos, do Cosmos, decidiram apostar mais alto, aliados aos holandeses que mandavam nas ligas. Por 5 milhões de dólares, em três anos, mais a obrigação de representar a Pepsi-Cola, dar clínicas para crianças, buscando plantar sementes de melhor qualidade, tiraram Pelé da aposentadoria.

Hábeis marqueteiros e negociantes, pensaram mais longe. Levaram o italiano Chinaglia. Buscaram o astro alemão Franz Beckenbauer, o inglês George Best, o capitão brasileiro na Copa de 70, Carlos Alberto Torres, e mais um punhado de bons jogadores. Não foi “uma Brastemp”, mas ajudou. Eram jogadores veteranos, aposentados em seus países, mas que ainda davam bom caldo.

O soccer nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, disputado no estádio de Pasadina, CA, teve recorde de público em quase todas as partidas. Excelente média de 70 mil pagantes. O Brasil, só para lembrar, foi representado pelo Internacional, de Porto Alegre, e ficou com a medalha de prata, perdendo a final para a França, por 2 a 0.

As sementes eram plantadas e bem regadas. A criançada aderia, os pais concordavam que era muito mais prático e barato juntar dezenas de garotos(as) dividindo-os(as) em times de onze, com custo mínimo: bolas, calções, camisetas, chuteiras, tudo muito mais em conta que os uniformes e complementos exigidos em outros esportes.

Em 1976, estive por lá e escrevi reportagens sobre a organização, a presença de Pelé e sobre o interesse da garotada pela bola redonda. Era período de férias, mas com a ajuda do Zuza, brasileiro que estudava na Universidade da Califórnia, reuni, de um dia para o outro, mais de 200 garotos em Santa Mônica – dos 50 mil inscritos em todo o país -, para um torneio de final de semana.

Mas ainda faltava alguma coisa, para um público que exige emoção constante no desenrolar dos jogos. Mais pontos, mais cestas, mais gols. Vencedor a qualquer custo. Nada de empates.

As tentativas para emplacar de vez, continuam. David Beckham, astro inglês, esteve por lá. Kaká dá a sua ajuda agora. E a bola vai rolando com públicos maiores que por aqui. Acredito que um dia, não muito distante, vai pegar mesmo. Pegar firme. Sem que as estrelas sejam apenas os importados.

Será com nativos de sangue latino. Tenho um neto de 11 anos nascido lá.  Já ganhou taco de beisebol, bola oval, bola laranja, mas é com a redonda que gasta energia quando volta da escola, no quintal da casa. Sem influência de ninguém. Tá no sangue, que os pais levaram daqui. E como ele, nascem milhares…

Falei do amanhã para contar do ontem. Quando estive lá em 76, foi para acompanhar os jogos pelo Torneio Bicentenário da Independência. Para o primeiro jogo, em New Haven, a delegação não ficou mais do que duas horas no hotel reservado. É que, ao lado da cabeceira das camas, tinha um aviso: “para chamar massagista, disque 9”.

Foi uma enxurrada de pedidos e um “Deus nos acuda”. Não havia massagistas para tantos pedidos. O técnico Osvaldo Brandão ficou sabendo, pisou nas tamancas e exigiu mudança imediata de local – sendo prontamente atendido. Massagem, só pelas mãos de Nocaute Jack.