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No Ângulo | Futebol é preciso

O acaso está dando uma chance para o “Clube da Fé” mudar

16/04/2015

Créditos da imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Nesta Libertadores o São Paulo tem feito jus ao antigo apelido de “Clube da Fé”. Os providenciais gols feitos pro Centurión nesta partida contra o Danubio (aos 46 do segundo tempo) e de Michel Bastos contra o San Lorenzo, no Morumbi (aos 44 da etapa final), garantiram quatro dos nove pontos conquistados até aqui.

Mas ao contrário da partida contra os argentinos – com os quais disputa diretamente uma vaga nas oitavas-de-final – quando o Tricolor teve boa atuação e merecia a vitória há mais tempo, contra os uruguaios o São Paulo fez uma partida muito fraca. Se não vencesse, não poderia reclamar de nada.

Foi uma partida apática do time brasileiro, que entrou com uma formação muito defensiva e se apoiou em Michel Bastos e Pato para criar perigo ao adversário. Ganso novamente esteve abaixo da crítica.

Durante o péssimo primeiro tempo das duas equipes, que não criavam basicamente nada, eu pensei “depois de o pessoal assistir PSG x Barcelona à tarde, ver esse jogo, nesse estádio vazio, é dose… assim fica incontrolável mesmo o crescimento do futebol europeu por aqui”. Felizmente o segundo tempo foi mais aceitável, com o Danúbio voltando melhor e marcando o gol logo de cara.

Daí em diante o São Paulo teve que tentar jogar mais, o que fez bem à partida. Não consigo ver sentido em manter Luis Fabiano e Centurión (que eu insisto que poderia mudar o sistema ofensivo da equipe) na reserva, para entrar com Rodrigo Caio e Hudson. Principalmente contra um rival fraco, quase eliminado, e numa situação em que a vitória era extremamente necessária.

O triunfo veio, e apesar do que a virada fora de casa e o gol nos acréscimos sugere, não foi fruto de uma atuação heroica ou vibrante da equipe paulista. Deve-se principalmente aos cruzamentos de Michel Bastos, aos bons nomes no ataque, e ao acaso, que é sempre um ótimo aliado.

E que sina desse Danúbio, que perdeu duas partidas em casa (contra “os santos” do Brasil e da Argentina) com gols nos acréscimos…

Com esse resultado, o São Paulo deve ficar com a segunda vaga do grupo. O San Lorenzo pode perfeitamente vencer o Corinthians na Arena Corinthians, pois é o atual campeão e, ao lado da Ponte Preta, foi a equipe que melhor se apresentou contra o alvinegro nesta temporada. Entretanto, é improvável, e o São Paulo tem grandes chances de jogar a última rodada por um empate em seu estádio, contra seu arquirrival, numa partida que deve parar a cidade. Apesar de o time do Parque São Jorge viver um momento muito melhor e ter vantagem no histórico recente, creio que a diferença de motivação pesaria a favor da equipe do Morumbi.

O difícil hoje é enxergar para que exatamente serviria a classificação do São Paulo. Com o futebol que vem jogando, o mais provável é que só passe para as quartas-de-final da competição se der sorte no chaveamento das oitavas.

Mas o futebol sempre pode surpreender. Um novo técnico será contratado: o mais cotado é o argentino Alejandro Sabella, que pra mim é certamente a melhor opção possível, pois “não deixa dúvidas de estar atualizado em relação ao futebol praticado atualmente” (por pouco não conquistou a Copa do Mundo do ano passado com a Argentina); já foi campeão da Libertadores (com o Estudiantes em 2009) e conhece o futebol brasileiro (trabalhou no Corinthians em 2005 como assistente do então técnico argentino Daniel Passarella). Dentro de campo, o dinâmico volante Wesley poderá jogar na eventual segunda-fase da Libertadores e acrescentar essa característica carente ao time atual; e até mesmo as lesões de Alan Kardec e Luis Fabiano podem colaborar para que Centurión vire titular e “injete vida e ânimo” no apático setor ofensivo da equipe.

Por mais que hoje seja difícil acreditar, pensando no futuro, dá pra ter fé.