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No Ângulo | Futebol é preciso

Nova parada de Muricy é mais um golpe para o futebol brasileiro

29/05/2016

Créditos da imagem: Renato Pizzutto/ Alexandre Battibugli/VEJA

A decisão de Muricy Ramalho de deixar o Flamengo e o futebol para tratar de sua saúde, mesmo que seja provisória, torna ainda mais carente o mercado de técnicos em nosso país. Mesmo sem estar no seu melhor momento, Muricy é uma referência para os novos treinadores e uma das poucas opções de peso no Brasil.

Seu currículo acumula quatro títulos brasileiros (o único verdadeiro tricampeonato pelo São Paulo -2006, 2007 e 2008- e outro pelo Fluminense), uma Libertadores pelo Santos e sete estaduais competindo em São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Uma coleção de peso, somente chamuscada pelo baile que o Santos levou do Barcelona no Mundial de Clubes de 2011.

Muricy foi o cara que disse “não” ao convite para ser técnico da Seleção Brasileira, em 2010. Ele deve ter tido os seus motivos para fazer isso, mas aquele momento era o seu auge. Não podemos dizer o que teria acontecido se ele tivesse aceitado, mas dá para imaginar que não seria uma participação insossa.

Mesmo sendo discípulo do mestre Telê Santana, Muricy está mais para o futebol de resultados do que o futebol-arte. Seus times são bons marcadores, firmes no posicionamento. Mas, com jogadores de qualidade nas mãos, armou ataques muito bons.

Suas entrevistas, geralmente impacientes, não são concorrentes ao Prêmio Ternura, mas proporcionam momentos memoráveis. Ele parece curtir aquela pose de mal-humorado, que gosta de ironizar perguntas que considera fracas. Os gestos irritados à beira do campo também formam sua característica única.

Com a grana infindável dos chineses, o Brasil tem perdido técnicos-referência nos últimos tempos. Lá estão, por exemplo, três dos últimos treinadores da seleção: Felipão “7 a 1”, Mano Menezes e Luxemburgo. Muitos dirão que os três estão ultrapassados. Concordo. E é por isso mesmo que a interrupção da carreira de Muricy, provisória ou definitiva, é mais um golpe para o futebol brasileiro. Ele faz falta na renovação.

Tite, Levir e Cuca formam o trio experiente e comprovado no Campeonato Brasileiro. Dorival, Ricardo Gomes, Jorginho e mesmo Marcelo Oliveira estão em bom estágio, mas precisam ganhar regularidade. Roger é uma boa promessa que vem se concretizando no Grêmio. Abel está há muito tempo longe. Fernando Diniz é uma aposta arriscada, mas interessante. Posso ter esquecido aqui algum nome que os leitores achem justo mencionar, mas não fugi muito ao que todos podem ver nos nossos clubes. Exclui os estrangeiros por estar me referindo a treinadores brasileiros.

Estamos carentes de bons nomes. E Muricy tem importância por ser um excelente técnico e inspiração para as novas gerações. Espero que sua parada seja temporária, mas também acho que só vale a pena voltar se todos os riscos à sua saúde estiverem afastados.

Sem ele em campo o futebol perde em mau humor, fica menos ranzinza, sem as piadinhas marotas e, principalmente, com uma importante referência a menos.