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No Ângulo | Futebol é preciso

No fim da fila entre os campeões, Flamengo tem histórico pouco animador na Libertadores

23/12/2016

Créditos da imagem: Imortais do Futebol

Raul; Nei Dias, Marinho, Mozer e Junior; Leandro, Andrade, Adílio e Zico; Tita e Nunes, depois Anselmo. Foi com essa escalação que, em 23 de novembro de 1981, o Flamengo venceu o Cobreloa do Chile, em Montevidéu no Uruguai, por 2 x 0, dois de Zico, e entrou no até então pequeno rol de brasileiros campeões da Libertadores, logo na sua primeira participação. Antes do rubro-negro, só o Santos de Pelé (1962 e 1963)  e o Cruzeiro (1976) conseguiram o troféu mais importante das Américas.

Passados 35 anos da primeira e mais vitoriosa participação, o Flamengo enfrenta um jejum incômodo: dentre os brasileiros que levantaram o troféu, é o que está há mais tempo sem o caneco. Nesse ínterim, tanto Cruzeiro (97) quanto Santos (2011) levantaram o troféu novamente. Viu ainda o antigo “pequeno rol” aumentar bastante: Grêmio (83 e 95), São Paulo (92, 93 e 05), o arquirrival Vasco (98), o Palmeiras (99), até o sempre cornetado Corinthians (12) e o rival mineiro Atlético (13), além do Internacional (06 e 10) conseguiram colocar seus nomes na placa da Taça Libertadores. Dos doze grandes, apenas Botafogo e Fluminense, que bateu na trave em 2008, não têm a conquista e estão na fila há mais tempo que o Flamengo. Se levar em conta todos os campeões, só o argentino Racing está há mais tempo na fila: o primeiro e único título do outro time de Mauro Cezar Pereira foi em 1967.

A coisa fica ainda mais complicada se a análise for feita em cada uma das outras 11 oportunidades que o clube da Gávea viajou pela América do Sul. As melhores campanhas também fazem mais de 30 anos: então atual campeão, o Flamengo entrou na semifinal (dividida em dois grupos de três times) em 82, mas não conseguiu ser o melhor do seu grupo que tinha Peñarol, que seria o campeão, e River Plate. Já em 1984, após passar na primeira fase, conseguiu ir para a semi de novo, e no mesmo formato, ficou fora para o Grêmio, em um grupo que ainda tinha Universidad de Los Andes da Venezuela. Pior foi em 1983, quando na primeira fase, não conseguiu ser o campeão do grupo que tinha o Grêmio, que conquistaria a taça, além dos bolivianos Bolívar e Bloooming.

Aliás, ficar logo na primeira fase é corriqueiro para o rubro-negro: Em 2002, após nove anos sem participar da competição, foi o terceiro de um grupo com Universidad Católica, Once Caldas e Olimpia, que seria o campeão do torneio. O mesmo aconteceu nas últimas duas participações. Em 2012, o Flamengo de Ronaldinho viu o Emelec “roubar” a sua vaga nos últimos minutos da rodada final, em uma chave que também tinha o Lanús e o Olimpia. Em 2014, a “façanha” foi ainda maior: ficou fora para León do México e o Bolivar, dessa vez, morrendo abraçado com o Emelec.

O “Império do Amor” de Adriano e Vagner Love conseguiu o melhor resultado recente: Em 2010, passou na primeira fase com uma improvável combinação de resultado e eliminou o Corinthians de Ronaldo nas oitavas de final – no ano do centenário do clube paulista – em pleno Pacaembu. Ficou nas quartas para a Universidad de Chile, capitaneada por Montillo.

Também chegou nas quartas de final em 1991 e 1993. Na primeira, o Fla de Luxa até ganhou no Maracanã, mas foi trucidado pelo Boca Juniors de Batistuta na temida Bombonera. Dois anos depois, não resistiu ao então campeão São Paulo, que conquistaria o bi da Libertadores e do mundo.

Por fim, duas fortes derrotas seguidas nas oitavas: Em 2007, quase levou o jogo contra o Defensor do Uruguai para os pênaltis, mas acabou eliminado no Maracanã. E em 2008, a mais incrível eliminação, quem sabe, da história do clube: após passear na Cidade do México contra o América (vitória por 4 x 2), sofreu apagão na despedida do técnico Joel Santana e viu Cabanãs brilhar para eliminar o Flamengo em pleno Maracanã (0 x 3).

Em 2017, o rubro-negro vai para a 13ª disputa de Libertadores com 101 jogos, sendo 52 vitórias e 21 empates. É o 5º brasileiro que mais esteve na competição, empatado com o Santos e o Corinthians. E para novamente figurar entre os melhores da América do Sul, vai precisar passar de um complicado grupo com San Lorenzo, campeão em 2014, e Universidade Católica, além do vencedor da chave que tem  Deportivo Capiatá do Paraguai, Deportivo Táchira da Venezuela, Universitário do Peru,  Millionarios da Colômbia e o Atlético Paranaense.

DESEMPENHO DO FLAMENGO NA LIBERTADORES

12 PARTICIPAÇÕES

Eliminações na primeira fase: 1983, 2002, 2012 e 2014

Eliminações nas oitavas: 2007 e 2008

Eliminações nas quartas: 1991, 1993 e 2010

Eliminações nas semis: 1982 e 1984

Final: 1981(campeão)

Jogos: 101

Vitórias: 52

Empates: 21

Derrotas: 28

Gols feitos: 191

Gols sofridos: 124

Artilheiros da competição: 1981 (Zico – 11 gols), 1984 (Tita – 8 gols) e 1991 (Gaúcho – 8 gols)