
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Acabo de ver uma discussão na TV sobre se Gabriel Jesus, após seu promissor início no Manchester City, pode “vir a ser eleito o Melhor do Mundo algum dia”.
Realmente é essa a questão mais pertinente a se fazer sobre um garoto ainda em afirmação?
Saudade dos tempos em que tínhamos altivez e senso crítico suficiente para formarmos nossa própria opinião sobre os craques. Lembro muito bem que em 1997, após excelente temporada no Vasco, cansei de ouvir que “o Edmundo foi o melhor jogador do mundo, ganharia o prêmio se jogasse na Europa”. Falou-se o mesmo sobre o chileno Marcelo Salas, que na época atuava no River Plate. E fazia sentido.
Hoje não, parece que o importante é ganhar esse prêmio, muito mais do que ser, de fato, “o melhor do mundo”. Em 2006 o badalado Ronaldinho Gaúcho, então “melhor do mundo por dois anos seguidos” viu, impotente, Zidane acabar com o jogo e liderar magistralmente a França na vitória que eliminou a Seleção Brasileira da Copa do Mundo.
Vejo pessoas contestando Neymar por “não ter sido o melhor do mundo”, quando ele continua obtendo feitos espetaculares. Se ele passar os próximos anos como coadjuvante de Messi no Barcelona, mas liderar o Brasil na conquista da próxima Copa do Mundo, pronto, será o suficiente para já inscrever seu nome na lista dos grandes da história e confirmar que sabe ser protagonista nos momentos mais importantes.
Essa terceirização de opiniões, com tudo passando a seguir shows convertidos em “verdades oficiais” só serve para os promotores desses eventos. Sim, eventos. Tais premiações não passam de grandes eventos, que servem para manter na mídia e na boca do povo o nome das entidades realizadoras e dar visibilidade a seus patrocinadores.
Não é porque Gabriel Jesus foi eleito pela CBF o “Craque do Brasileirão 2016” que a discussão foi finalizada e não podemos achar que foi Moisés. Não é porque Renato Augusto foi o “Bola de Ouro 2015”, que temos que aceitar que não foi Jadson. E casos ridículos como a eleição de Oliver Kahn como o melhor da Copa do Mundo de 2002, quando Ronaldo e Rivaldo sobraram, só ilustram a bizarrice que é ficarmos tão vidrados nesses rótulos.
Enfim, não sou contra essas premiações. Muitas, como a tradicional Bola de Prata da Revista Placar, seguem inclusive critérios técnicos que são muito válidos. Mas não passam de uma curiosidade a mais, algo interessante, nunca “a verdade”.
O problema se agravou muito a partir do momento em que as entidades organizadoras de competições passaram a conceder esses prêmios que tanto me incomodam: elas pretensamente são a verdade oficial, com direito ao jogador receber a distinção ainda em campo, para todos verem “quem foi o melhor”, um troféu a mais, como um título à parte (o que gera, inclusive cenas ridículas como a de Messi recebendo arrasado o injusto prêmio de “Bola de Ouro da Copa do Mundo 2014”).
Que Gabriel Jesus se preocupe em ser um grande jogador, ajudar suas equipes a saírem campeãs, fazer história e se firmar como um dos melhores do mundo. Qualquer premiação dessas não passa de um acessório que passou a ser tido como meta por um modismo em tempos de trending topics.