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No Ângulo | Futebol é preciso

Mais Kaká e Menos Ganso

30/03/2015

Créditos da imagem: Portal Terra

Tenho ouvido muito esse ano sobre o papel da liderança no futebol.

Dunga, referindo-se a Robinho e Neymar, classificou seus comandados como líderes da alegria e da irreverência, ambos, portanto, com perfil de liderança diferente da dele próprio, quando capitão da seleção, ou de Carlos Alberto Torres (o eterno Capita), estes mais sisudos e com maior senso de cobrança.

Ainda, grande parte da torcida são-paulina atribui o pouco sucesso do time na temporada à saída do Kaká do elenco, mais até pelo seu espírito de liderança do que propriamente pelo futebol praticado dentro de campo.

E, mais recentemente, coincidentemente ou não, sem poder contar com o seu craque acima citado, Robinho, o Santos veria a sua invencibilidade na temporada cair por terra contra a Ponte Preta e no jogo seguinte apenas empataria com o modesto São Bento.

Esses são apenas alguns dos exemplos mais recentes.

Defino como líder aquele com a capacidade de comandar pessoas, atrair seguidores e o poder de influenciar positivamente mentalidades e comportamentos.

Em se tratando de ambiente profissional, acredito que uma pessoa alto-astral, quase sempre sorridente (sem ser alienada, claro) e de bem com a vida, faz muito bem para o meio do qual faz parte, pois propaga uma energia positiva e acaba contagiando as demais. Da mesma maneira, alguém que faça o seu trabalho de maneira super competente – ainda que de modo introspectivo e calado – acaba por exercer uma influência benéfica, impulsionando os companheiros a buscarem o mesmo nível de excelência.

Voltando ao Kaká, eleito melhor jogador do mundo pela FIFA em 2007, embora entenda que o estrelado e experiente time do São Paulo não possa se valer desse argumento (ao lado de Muricy, os atletas precisam encontrar novas soluções para o time voltar a jogar bem), constato que o ex-camisa 8 tricolor faz, sim, muita falta. Um atleta desse gabarito (e aí estou falando de qualquer modalidade esportiva), para atingir o ápice, o topo que Kaká atingiu, a ponto de ser escolhido “o” melhor naquilo que faz, além do “dom divino”, certamente possui um nível de disciplina e de autocrítica muito fora da curva, além de um grande espírito vencedor. Daí o meu respeito e admiração por atletas como Gustavo Kuerten, Cesar Cielo, Arthur Zanetti e Gabriel Medina, pra citar apenas alguns dos nossos ídolos nacionais. Por isso acredito que o Kaká fazia tão bem ao grupo são-paulino, tendo criado uma verdadeira “corrente do bem” em todo o elenco. Há quem diga que ele corria feito um “Menino de Cotia” nos treinos, uma genuína lição de humildade. Um paradigma.

Como contraponto, como não pensar no Ganso? Não foi uma, mas algumas vezes que o próprio se intitulou como o melhor meio-campista do Brasil. Extremamente talentoso (entendo que poucos, mas muito poucos, têm o seu toque de bola e sua visão de jogo em nível mundial), não poderia trabalhar e focar para que os outros (e não ele próprio) cheguem a essa conclusão a respeito de seu futebol? Será que ele não percebe o quão pra trás tem ficado? A título de exemplo, Neymar, seu companheiro de clube em 2010 e a quem era comparado naquele timaço do Santos, já jogou uma Copa do Mundo, é o maior astro da nossa seleção e internacionalmente reconhecido.

Tempo e capacidade o Ganso tem. Que reflita e mude. Que seja mais Kaká e menos Ganso.

E segue o jogo.