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No Ângulo | Futebol é preciso

Futebol precisa de torcedores, não necessariamente uniformizados

17/04/2016

Créditos da imagem: globoesporte.com

A rádio Bandeirantes tem um programa – acho que posso chamar assim – com o título “A Bandeirantes não esquece”. Nele, como é fácil perceber, a rádio se mostra atenta aos grandes problemas – crimes, desmandos, praticados por administrações ou pessoas – e atualiza sempre as informações, bate na tecla, cobra…

Assim como a Bandeirantes, outras rádios, com ou sem vinheta tão indicativa, de alguma forma também procuram se mostrar vigilantes, apontando erros, cobrando soluções, no geral.

Na área do esporte, a que militamos, e fixando nas arruaças e crimes praticados por membros das chamadas torcidas uniformizadas, muitos companheiros têm criticado e cobrado providências das autoridades competentes.

É bom, mas é pouco. Se editasse um jornal, escrito ou falado, e me desse permissão, criaria uma sessão tipo “veja como está”, destinada exclusivamente a acompanhar e divulgar como estão as prisões, os processos, o cumprimento de penas dos torcedores que se metem nessas enrascadas. Acho que ajudaria a cobrar providências de quem de direito e a mostrar aos candidatos a vândalos que a lei está funcionando.

Perdi a conta de quantas vidas foram tiradas estupidamente em brigas de torcedores. Lembro-me de um garotinho morto no campo do Nacional. De um outro espancado até a morte numa final da Copa São Paulo de Juniores, numa manhã de domingo, no Pacaembu, jogo São Paulo x Palmeiras. Foi o caso de maior repercussão e, aparentemente, o único que botou alguém na cadeia

E não me engano em afirmar que só aconteceu, porque a TV Globo transmitia a partida e a repercussão, por isso, foi massacrante.

Quando chefiava o esporte da Globo em São Paulo, depois de enviar equipes duas ou três vezes para cobrir reuniões com  chefes de torcidas, promovidas pela PM, com discurso de promover a paz entre elas, deixei de fazê-lo. Entendi que eram improdutivas. Davam a eles um status que não mereciam etc.

Assim como achava e continuo achando um erro escoltar torcedores antes e depois de jogos – cuidado que, infelizmente, não se tem, no mesmo nível, com a população.

Bobagem igual, foi fazer de conta que fechavam torcidas, sabendo que a simples mudança de um nome jogava a decisão por terra.

Bobeira maior, por fim, é insistir ser necessária lei especial para processar os briguentos, criminosos. Por que lei especial? Só porque vestem camisa de uma agremiação? Basta aplicar a legislação existente. O código penal, como se fez esta semana. Camisa de torcida não pode valer como habeas corpus preventivo. Carteirinha não pode valer como salvo-conduto.

Li crítica à ação policial, dizendo tratar-se de política. Política foi usar até o Itamaraty para aliviar a barra dos que mataram um garoto de 14 anos na Bolívia.

O futebol precisa de torcedores, não necessariamente uniformizados.

Veja também: Bandido x Torcedor