
Créditos da imagem: Vitor Silva/SSPress/Botafogo
É velha a afirmação de que “caro é o que não vale”. Ou, mais comum, e eu prefiro esta, “caro é o que não tenho dinheiro para comprar”. Embora no mundo da bola se pague, aqui e mais ainda lá fora, fortunas para um jogador ou um técnico, muito maiores do que empresas pagam a grandes executivos, por exemplo, sempre digo que “pagam porque querem”. E concluo que eles têm mais mesmo é que exigir o máximo possível. De onde vem tanta grana, se de lavanderia ou não, é outra questão. Só viro o nariz, quando o clube paga mais do que seu cacife aguenta – e acaba na Fifa ou na polícia.
É o mundo da bola que rola e enrola. Onde, especialmente por aqui, ninguém respeita ninguém, ou todo mundo respeita todo mundo – dependendo de como se encara as coisas. Quando se trata de cumprir contrato, diferente de tantos, acho que vale o que está escrito, isto é, a lei entre as partes, e não o que se tenta entender por justo ou moral. Quer sair ou demitir e pagou a multa combinada, nada mais há a reclamar.
A dança dos técnicos este ano foi grande, mas não maior que nos outros. Com o fracasso de Rogério Ceni – e não acho que por culpa dele – no São Paulo, dois “caras novas”, todos sabem, ganharam destaque: Carille, no Corinthians, e Jair Ventura, no Botafogo. Só este, porém, acredito, estará na vitrine para 2018 e será tentado a deixar o Botafogo. Carille tem a cara do Corinthians, onde nasceu, e já declarou que seu sonho é ficar por lá e comprar uma casa na praia (embora na vida nada seja definitivo).
Desde já, por aqui, cada vez que um técnico balança, o primeiro nome tirado do bolsinho do colete pelos repórteres como ideal para assumir e arrumar o time, é o de Jair Ventura. Foi assim quando Cuca tropeçava, e voltará a ser, se Alberto não fizer “milagres no pouco tempo que terá. É assim pelos lados da Vila Belmiro, onde querem ver Levir voltando para o Japão. E será no São Paulo, no Fluminense…
Choverão propostas, todas, é claro, oferecendo bem mais do que os ditos 200 mil que o Botafogo deposita (?) na conta dele todo dia 10. E ele, com seu empresário, não deixarão de estudar cada uma delas. É também para conquistar a melhora financeira que todos trabalham com afinco. A vida útil do técnico é mais longa do que a de jogador, mas é também mais instável. Não dá para jogar a culpa pelas derrotas em outras costas, nem apelar para o chinelinho quando a situação fica carrancuda. Mesmo que garantam estar sendo sabotados pelo grupo, são seus fundilhos que levam o pé.
Não dá para dizer não. Não dá para acreditar que o Botafogo possa pagar o que os outros irão oferecer. Não dá para não pensar, discutir e ir em frente. Mas dá, e é preciso pesquisar antes de assinar. A profissão dá prestígio, dinheiro, muito mais do que se ganha em outras, mas também é estressante, acelera o aparecimendo dos cabelos brancos, o risco de sofrer AVC. E que são raríssimos – nem me lembro de algum – os casos de sucesso direto, sem quedas, algumas definitivas. O ex-goleiro Zetti foi um sucesso quando começou. Levou o Fortaleza à série A e em três anos estava no Atlético Mineiro – para apenas onze jogos. Voltou à estaca zero e, sem receber direitinho seus salários, mudou de rota. Péricles Chamusca virou “gênio” ao ganhar a Copa do Brasil com o Santo André e depois foi aprender japonês. Falcão começou dirigindo a “amarelinha”…
Não vale o trabalho de pesquisar mais, mas vale fixar no exemplo mais recente, do Eduardo Baptista. “Gênio” no Sport, em 2014, com a marca de cem jogos, não passou dos 26 no Fluminense, para onde subiu como foguete. Foi acolhido pela Ponte Preta, em casa, mas a volta à elite, no Palmeiras, durou apenas quatro meses. Menos ainda durou no Atlético Paranaense. Faz parte, queiramos ou não é do jogo, porque os dirigentes contratam os técnicos que fazem sucesso num clube pequeno ou médio – não estou falando exatamente do Botafogo -, formado por jogadores que também buscam o estrelato, contratos mais ricos, achando que eles farão o mesmo comandando jogadores já viciados, cheios de manha, com longos e gordos contratos.
O sucesso de Jair Ventura no Botafogo tem tudo a ver com o noticiado da maioria dos seus jogadores: o desejo de voos mais altos e a cumplicidade entre eles. Sem isso, seus conhecimentos caem pela metade, deixando-o sempre na marca do pênalti, como os demais. Ele que exija uma bolada na mão, multa elevada, ainda que com salários menores que o do Cuca ou do Levir – para amortecer o pé nos fundilhos.
Como fez Rogério Ceni.