Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

Com título do River, argentinos chegam a 24 conquistas em 33 finais de Libertadores

06/08/2015

Créditos da imagem: desporto.sapo.pt

Quando um time argentino chega à decisão do principal campeonato do continente, dificilmente é derrotado. A história prova isso. De 1960 até hoje, nossos hermanos estiveram em 33 finais de Libertadores e venceram 24, um aproveitamento incrível de 72,7%. Como comparação: os brasileiros disputaram 28 decisões contra adversários estrangeiros e levantaram 15 vezes a taça. Ou seja, venceram 53,5%, um desempenho muito inferior ao de nosso hermanos. Vale lembrar que os clubes brasileiros somam ao todo 17 conquistas, mas duas delas aconteceram com dois clubes do país na final: em 2005, quando o São Paulo bateu o Atlético Paranaense, e em 2006, quando o Internacional foi campeão em cima do Tricolor.

Essa força histórica dos argentinos na hora de decidir certamente fez diferença para o River Plate levantar em 2015 a terceira Libertadores de sua história. No papel, o Tigres era mais time e tinha, ao longo da competição, jogado mais bola do que adversário. Mas quem ficou com o título com toda a justiça foram os Millionarios, que arrancaram um 0 a 0 no México e venceram por 3 a 0 no Monumental de Nuñez.

Foi o segundo ano seguido sem um brasileiro na final, fato que não ocorria desde 1991. A incompetência tupiniquim facilitou o caminho para que a Argentina ampliasse a supremacia com o inédito título do San Lorenzo em 2014 e com o do River em 2015. Um argumento comumente usado para justificar tamanha diferença é que, no passado, os clubes do Brasil não levavam a sério a Libertadores, mas ele cai por terra quando se analisa as 13 vezes em que times dos dois países se enfrentaram em decisões continentais: os argentinos ganharam nove contra quatro dos brasileiros.

Os autores das façanhas são o Santos, de Pelé, que bateu o Boca Juniors em 1963, o Cruzeiro, que superou o River Plate em 1976, o São Paulo, que levantou seu primeiro título ganhando do Newell’s Olds Boys em 1992, e o Corinthians, campeão em cima do Boca em 2012.

Se foi derrotado duas vezes por brasileiros na história, o Boca Juniors é também o maior algoz de nossos clubes. Foi campeão em 1977, 2000, 2003 e 2007 em cima, respectivamente, de Cruzeiro, Palmeiras, Santos e Grêmio. O Independiente bateu no São Paulo em 1974 e no Grêmio dez anos depois. O Estudiantes fez o Palmeiras de vítima em 1968 e o Cruzeiro em 2009. Teve ainda o Vélez Sarsfield que em 1994 acabou com sonho do São Paulo de conquistar o terceiro título seguido ao levantar a taça depois da disputa de pênaltis em pleno Morumbi.

Outra coisa que as duas últimas Libertadores mostraram é que importa muito pouco a posição com que a equipe se classifica na fase de grupos. Tanto o San Lorenzo em 2014, quando o River Plate em 2015 fizeram campanhas muito ruins para chegar às oitavas-de-final. O time do Papa Francisco passou como o 15o. colocado no ano passado, enquanto os Millionarios ficaram em 16o. nesta edição.

Aliás, desde que a classificação da fase de grupos começou a ser usada para definir os confrontos das oitavas-de-final, em 2005, apenas uma vez o campeão foi aquele que fez também a melhor campanha: o Atlético Mineiro em 2013. Mas nunca antes o pior classificado na etapa inicial tinha ficado com o troféu. A façanha do River Plate deixa duas lições: tradição e camisa ainda pesam muito na hora de decidir e a primeira fase tem pouca importância no resultado final da Libertadores. A competição começa de verdade no mata-mata, quando se separam os homens dos meninos.

Todas as finais disputadas por clubes argentinos:

1963 – Santos (campeão); Boca Juniors (vice)

1964 – Independiente (campeão); Nacional (vice)

1965 – Independiente (campeão); Peñarol(vice)

1966 – Peñarol (campeão); River Plate (vice)

1967 – Racing (campeão); Nacional(vice)

1968 – Estudiantes (campeão); Palmeiras (vice)

1969 – Estudiantes (campeão); Nacional (vice)

1970 – Estudiantes (campeão); Peñarol (vice)

1971 – Nacional (campeão); Estudiantes (vice)

1972 – Independiente (campeão); Universitário (vice)

1973 – Independiente (campeão); Colo Colo (vice)

1974 – Indendiente (campeão); São Paulo (vice)

1975 – Independiente (campeão); Unión Española (vice)

1976 – Cruzeiro (campeão); River Plate (vice)

1977 – Boca Juniors (campeão); Cruzeiro (vice)

1978 – Boca Juniors (campeão); Deportivo Cáli (vice)

1979 – Olimpia (campeão); Boca Juniors (vice)

1984 – Independiente (campeão); Grêmio (vice)

1985 – Argentinos Juniors (campeão); América de Cáli (vice)

1986 – River Plate (campeão); América de Cáli (vice)

1988 – Nacional (campeão); Newell’s Old Boys (vice)

1992 – São Paulo (campeão); Newell’s Old Boys (vice)

1994 – Vélez Sarsfield (campeão); São Paulo (vice)

1996 – River Plate (campeão); América de Cáli (vice)

2000 – Boca Juniors (campeão); Palmeiras (vice)

2001 – Boca Juniors (campeão); Cruz Azul (vice)

2003 – Boca Juniors (campeão); Santos (vice)

2004 – Once Caldas (campeão); Boca Juniors (vice)

2007 – Boca Juniors (campeão); Grêmio (vice)

2009 – Estudiantes (campeão); Cruzeiro (vice)

2012 – Corinthians (campeão); Boca Juniors (vice)

2014 – San Lorenzo (campeão); Nacional-PAR (vice)

2015 – River Plate (campeão); Tigres (vice)

Primeiros colocados na fase de grupos desde 2005:

2005 – River Plate – eliminado na semifinal pelo São Paulo

2006 – Vélez Sarsfield – eliminado pelo Chivas Guadalajara nas quartas

2007 – Santos – eliminado pelo Grêmio na semifinal

2008 – Fluminense – derrotado na final pela LDU

2009 – Grêmio – eliminado pelo Cruzeiro na semifinal

2010 – Corinthians – eliminado pelo Flamengo nas oitavas-de-final

2011 – Cruzeiro – eliminado pelo Once Caldas nas oitavas-de-final

2012 – Fluminense – eliminado pelo Boca Juniors nas quartas-de-final

2013 – Atlético Mineiro – campeão

2014 – Vélez Sarsfield – eliminado pelo Nacional-PAR nas oitavas-de-final

2015 – Boca Juniors – eliminado pelo River Plate nas oitavas-de-final