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No Ângulo | Futebol é preciso

Onde foi parar o “futebol-arte” do Brasil?

14/03/2016

Créditos da imagem: UOL

É um questionamento que fazemos e ouvimos com frequência na mídia.

A década de 80 foi a última que apresentou um futebol bonito de se ver, com jogadores de muita qualidade técnica. Os times atuavam com apenas um volante – que sabia jogar – dois meias de criação e três atacantes. Uma das grandes carências do futebol atual é o camisa 10, aquele ponta-de-lança clássico que chama a responsabilidade para criar e também conclui com a mesma precisão. O Zico, citando apenas um de muitos que tivemos, fazia essa função com muita perfeição. O ataque é outra carência para um país que já produziu os maiores atacantes da história do futebol mundial.

Não ganhamos a Copa de 82, mas aquele time até hoje é lembrado e reverenciado por todos. O ex-jogador e atual técnico Paulo Roberto Falcão, em relação à derrota da seleção na Copa de 82, disse o seguinte: “Acho que o futebol teria mudado se o Brasil tivesse ganhado a Copa do Mundo de 82. Predominaria o futebol técnico, de habilidade, coisa que não predominou”.

A partir dos anos 90, mesmo com o Brasil ganhando duas Copas do Mundo – 1994 e 2002 – e foi a década da afirmação de Romário e o surgimento de Ronaldo Fenômeno, não conseguiu mais apresentar um futebol coletivo que encantasse, não só a nós brasileiros, mas a todos os amantes do esporte mundial, que sempre teve o Brasil como referência do bonito de se ver e praticar. Reconheço a importância dos títulos, pois é o que fica marcado na história, e temos que valorizar – e muito – as duas conquistas. O título de 94, por exemplo, foi de um futebol pragmático, para uma competição de tiro curto, que também deu resultado pela genialidade do atacante Romário, que não ganhou o título sozinho, mas foi o ponto de desequilíbrio.

Na última década tivemos Ronaldinho Gaúcho com momentos de genialidade no Barcelona, onde encantou a todos e acabou sendo eleito o melhor jogador do mundo. Na década atual, Neymar é o grande nome do futebol brasileiro. Já mostrou que é craque e agora busca na Europa a sua afirmação e consagração definitiva para entrar na lista dos gênios da bola. Ele joga no time que pratica com mais perfeição o que chamamos de futebol-arte, e tem como companheiro o maior “artista” da atualidade, o gênio Messi.

O que temos por aqui atualmente? Um futebol cheio de volantes brucutus e falido administrativamente, com os clubes endividados e dirigentes aproveitadores. As exceções existem – apesar de raras – para um país que tem no futebol o seu esporte nº 1. Dentro de campo, o que estamos assistindo nos jogos dos campeonatos regionais é de dar pena, tamanha a mediocridade apresentada pela quase totalidade dos times. A nossa “crise” é técnica, tática, administrativa, financeira, moral e etc.

A participação na Libertadores de 2016 pode ser mais um vexame para os times brasileiros. Ainda é um pouco cedo para afirmações, mas as rodadas iniciais são preocupantes.

Termino fazendo uma indagação a você, leitor, que acompanha futebol e tem o seu time de coração: está satisfeito com o que vem assistindo ultimamente? Mesmo com o seu time campeão, acredito que o futebol apresentado não é o que você desejaria ver.

O que vemos pela frente é sombrio…