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No Ângulo | Futebol é preciso

A vingança escancarada: 774 dias depois, um Brasil x Alemanha com cheiro de prato frio

18/08/2016

Créditos da imagem: futebolinterior.com.br

Há livros que a gente lê e não esquece. Uma das maiores obras-primas da literatura mundial, o livro ‘O Regresso’, escrito pelo americano Michael Punk, ganhou, no ano passado, sua adaptação para o cinema, resultado que levou Leonardo Di Caprio a ganhar o seu primeiro Oscar na carreira. A obra, segundo um dos jornais mais bem conceituados dos Estados Unidos, o Washington Post, é “uma obra soberba sobre vingança”, em que o protagonista, Hugh Glass, após ser atacado por uma ursa, é roubado e abandonado à beira da morte por seus companheiros, mas que, movido pelo sentimento de vingança, “retorna” à vida e acerta conta com aqueles que o deixaram à sua própria sorte.

Nesta última quarta-feira, 17, o Brasil se encheu do sentimento de vingança. Após a confirmação da final olímpica no futebol contra a Alemanha, não faltaram pensamentos e comentários sobre a possibilidade de nos vingarmos, mesmo que em uma dose consideravelmente inferior, do fatídico 7×1, sofrido na semifinal da Copa do Mundo de 2014.

É claro que as situações são diferentes e nem mesmo os elencos se equivalem – nem mesmo nossos jogadores acima dos 23 anos estavam presentes naquele dia inesquecível. Mas que fica um gostinho, fica. E a pressão é toda do Brasil. Se perdemos, seremos fregueses e conviveremos eternamente com dois sonhos interrompidos por alemães em menos de dois anos. Se ganharmos, vão dizer que não há a mesma medida entre um 7×1 numa Copa do Mundo e uma final olímpica com jogadores sub-23. Mas então, desmerecido por desmerecido, entre perder e ganhar, amigo, vamos Brasil!

Fato é que o futebol se demonstra cada vez mais incrível, a ponto de acreditarmos que tudo funciona com um roteiro já pré-escrito e que o acaso não poderia ser tão pontual, como o é. Quando poderíamos imaginar que já nas Olimpíadas, de novo dentro de casa, teríamos novamente a Alemanha pela frente?. E é sempre assim que ocorre. Não há em outro esporte, a chance de se vingar como há no futebol. O que dizer de duas finais de Copa do Mundo seguidas entre Argentina e Alemanha (1986-1990); ou da reedição da histórica final da Champions League apenas dois anos depois, entre Milan e Liverpool (2004/2005, 2006/2007)? Exemplos não faltam. O futebol nos dá a chance de nos levantarmos em cima, exatamente, de quem nos deixou no chão. Então, eis que, 774 dias depois, a Seleção Brasileira tem a chance de se reerguer exatamente contra aquela que o humilhou; tem a chance de comer frio esse prato chamado vingança.

Repito, sabemos que as seleções são diferentes e que, apesar de Neymar, jogaremos com jogadores menores de 23 anos. Mas alguém se negaria a dizer que um ouro olímpico no peito, numa final no Maraca, contra a seleção alemã nos encheria de orgulho e reanimaria nossas esperanças com essa Seleção que há tempos só nos decepciona?

Se vingança, para o dicionário Aurélio, é a atitude de quem se sente ofendido ou lesado por outrem e efetua contra ele uma ação mais ou menos equivalente, então, aceitaremos que, neste dia 20 às 17h30, chegue a nossa vingança, mesmo que seja por menos, mesmo que não seja de 7, mesmo que não seja de goleada, mesmo que seja nos pênaltis, mas desde que, dessa vez, enfim, dê Brasil.