
Créditos da imagem: AFP
Campeão e artilheiro da Liga dos Campeões, possivelmente entre os três melhores jogadores do ano na eleição da FIFA e desfilando lances geniais em campo, Neymar parece “dar de ombros” para aqueles que evidentemente por ele nutrem antipatia – pois absolutamente nada justifica tamanha patrulha sobre o atleta – e tem pavimentado de maneira brilhante a sua carreira que, ao que parece, o consolidará como uma das maiores lendas da história do futebol mundial.
Autor de gols em 71% das finais que já disputou na carreira, Neymar, segundo a sua própria avaliação, vive aos 23 anos de idade o seu melhor momento, tendo sido artilheiro da Copa do Rei e da Liga dos Campeões (ao lado de Messi e Cristiano Ronaldo), e anotado 39 gols em 51 partidas na temporada.
Pensando no começo de sua trajetória, pondero se talvez o excesso de rigor com Neymar passe pela decepção com Robinho, também revelado pelo celeiro de craques Santos Futebol Clube, que nos forneceu o maior de todos, o Rei Pelé. Explico: o craque das pedaladas, embora incontestavelmente um grande jogador, tendo atuado em grandes clubes da Europa e com participações em Copas do Mundo pela Seleção Brasileira, não vingou como se imaginava e nunca esteve perto de ser considerado o melhor do mundo.
Ou então, o jeito irreverente de Neymar lá no começo da carreira, entre 2009 e 2010, quando o Santos do menino do moicano vencia os adversários com placares chocantes (de seis, oito e até dez gols!) e via os seus jogadores comemorarem os seus feitos com dancinhas irreverentes, na mais pura tradução do futebol moleque (que eram de fato). Molecagem – há de se registrar – que passou do ponto quando o abusado craque desrespeitou o então treinador Dorival Júnior, este que acabou sendo xingado dentro de campo por não permitir que Neymar efetuasse a cobrança de um pênalti, em episódio que acabou sendo muito bem conduzido pelo atleta (àquela altura um menino que estava conhecendo a fama e que foi bombardeado por meio mundo), que nunca se refutou a assumir o seu erro e a afirmar que aquele momento tenha sido um “divisor de águas” em seu amadurecimento.
Aliás, a partir do ocorrido, passamos a ver um Neymar “pasteurizado”, quase um robozinho de tão “bom samaritano” que se transformou. Vale a reflexão: até que ponto a mídia não é responsável pelos “lugares comuns” e respostas convencionadas e de bom tom dos jogadores em suas entrevistas e participações em programas geralmente pra lá de entediantes?
Ainda bem que dentro de campo a personalidade de Neymar e o instinto de artista da bola estejam resistindo ao “politicamente correto” e nos brindando com lances de pura magia como o da carretilha/lambreta no jogador do Athletic Bilbao. Será que se o pacato e introspectivo (e também genial) Rivaldo tivesse feito aquela jogada a repercussão teria sido a mesma? E por que diabos os famosos chapéus na linha lateral de Ronaldinho Gaúcho atuando pelo Barcelona não incomodavam tanto?
Ah, desisto de tentar entender.
Só sei que a patrulha sobre Neymar está se tornando insustentável.
Ainda bem.
E segue o jogo.