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No Ângulo | Futebol é preciso

Deixem o Neymar em paz!

31/01/2018

Créditos da imagem: UOL

Quando, em 2010, Neymar desacatou o técnico Dorival Júnior, do Santos, em um jogo contra o Atlético-GO, eu condenei sua atitude. Mostrou ser um menino malcriado, para dizer o mínimo. E a diretoria do Santos errou feio, em minha opinião, ao demitir o técnico por ele não ter escalado o birrento no jogo seguinte.

Depois, com o tempo, Neymar foi mudando um pouco seu comportamento, e eu, cada dia mais, admiro seu futebol. É o único jogador que pode rivalizar com Messi e CR7 no topo do futebol mundial. E tem mostrado que sabe se livrar de adversários em campo e dos chatos fora dele. Esses últimos mais implacáveis que os zagueiros botinudos. E como tem chato nesse mundo do futebol!

Caçado o tempo todo do jogo do PSG contra o Rennes, no último dia 31 de janeiro, Neymar decidiu responder de uma forma que só alguém dotado de seu talento extraordinário poderia fazer. Matou bola nas costas, completando com chapéu no adversário, driblou, deu passes precisos e ainda tirou um sarro do zagueiro mais antifutebol em campo, oferecendo-lhe a mão para levantá-lo e a retirando tão logo o adversário tentou pegá-la.

Pronto! O mundo caiu! Começou a chover críticas de todos os lados. Desrespeitoso, mau exemplo, mascarado… Esses foram alguns dos termos usados para condená-lo. A imprensa europeia, que em boa parte costuma fazer vistas grossas aos atos racistas de seus jogadores e torcedores, se dá ao direito de ditar regras a todo craque sul-americano que para lá vai na tentativa de compensar o buraco enorme entre a capacidade financeira e a incapacidade de revelar grandes craques em quantidade do futebol do velho continente.

O mesmo aconteceu quando ele não deixou Cavani cobrar o pênalti contra o Dijon, que daria ao uruguaio o recorde de gols pelo PSG. O jogo já estava 7 a 0 e Neymar já tinha feito três gols. E daí? O brasileiro chegou ao PSG como superestrela mundial. E teve que enfrentar a marra de Cavani, que tentava mostrar quem mandava muito no time. Neymar fez questão de enfatizar a ele a nova ordem do pedaço.

Está errado? Em um futebol altamente competitivo, cabe a ele o papel de santo? A torcida vaiou e Neymar a desprezou. Se não gostarem, ele pode ir para qualquer time de ponta do mundo -coisa que o PSG só pode sonhar ser um dia se continuar a ter o brasileiro entre seus atletas.

O que mais impressiona é a moralidade tola de boa parte da crônica esportiva, europeia e brasileira. Faz parte do jogo e Neymar sabe ser marrento como muitos e joga como pouquíssimos. Precisamos ser menos chatos, menos almofadinhas de estúdios e procurar entender um pouco mais o clima que rola dentro de campo, ainda mais quando a arma dos adversários se resume à velha e boa pancada sem dó.