
Créditos da imagem: R7
No final de semana, duas notícias aparentemente sem a menor ligação – mas só aparentemente – foram publicadas. Ambas relacionadas com o futebol. A contusão do goleiro Fernando Prass e a decisão da CBF de, finalmente, colocar em prática a parte da lei Profut, que obriga os clubes a estarem em dia com seus compromissos financeiros – dívidas trabalhistas, fiscais, salário de jogadores e funcionários, incluindo direitos de imagens – sob pena de PODEREM ser rebaixados no final da temporada.
Ainda no mês de julho, duas outras notícias, também aparentemente desligadas, foram publicadas e passaram batidas. Nenhuma repercussão. Referiam-se à carta enviada por clubes à CBF, exigindo o cumprimento de outra parte da mesma lei 9615, que determina a presença dos clubes das séries A e B nas assembleias da entidade. A outra, essa mais cabeluda, informava a extinção da CPI da máfia no futebol, sem relatório e sem ouvir cartolas envolvidos. Terminou, não em pizza, mas em caviar.
A contusão de Fernando Prass, que se lamenta, naturalmente, frustra os sonhos do goleiro de lutar por uma medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio e, claro, de entrar nos planos do técnico Tite para disputar as Eliminatórias para a Copa da Rússia, podendo chegar a Moscou aos 40 anos de idade. Uma pena, nem seria preciso dizer.
E coloca o Palmeiras numa encruzilhada – queiram ou não. E numa provável briga com a CBF, levando-se em conta que seu presidente, experiente e pessoalmente independente, não é de engolir seco e fazer médias. A primeira, é saber se os goleiros reservas de Prass darão ao time a mesma segurança que ele, líder do grupo, continuaria dando na luta pelo título – que parece possível. A outra, é receber da CBF todos os direitos que tem, causados pela contusão e a impossibilidade de Prass de defender o time por meses seguidos. Reembolsará ao Palmeiras todas as despesas com tratamento, salários e demais encargos?
Não é o que a entidade presidida por Del Nero, por sinal palmeirense desde o berço, costuma fazer. Não pagava antes – o São Paulo, cansado de cobrar, ajuizou ano passado ação pedindo 20 milhões de reais como reembolso de salários. E não paga agora. Foi a resposta que deu ao Santos, quando seu presidente, Modesto Roma, pediu para que assim fizesse, quando foi obrigado a ceder três de seus jogadores para a Copa América.
A CBF usa os jogadores dos clubes, fatura milhões, paga salários astronômicos aos cartolas e funcionários, e fica por isso mesmo. Vende cabritos sem cabras ter.
A lei diz, e nada mais justo, que os clubes devem pagar salários em dia, o que não acontece. Lei é feita para ser cumprida, parece claro. E vem a pergunta necessária: quem cobrará da CBF o cumprimento de seus deveres, se os clubes – sabe lá Deus os motivos – têm medo de tomar a dianteira?
Sobre o fim melancólico da CPI, quem era tão ingênuo que esperava outra coisa?
Leia também: