
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Quando tinha o comando do esporte da “Poderosa” em São Paulo, dizia sempre aos repórteres, repórteres cinematográficos e editores que ninguém era obrigado a transformar uma pauta ruim em grande reportagem – o que algumas vezes acontecia, graças às qualidades, ora de um, ora da equipe. E alertava que, da mesma forma, ninguém tinha o direito de perder uma grande pauta, uma bela ideia – o que, da mesma forma, também acontecia.
O técnico Otto Glória, brasileiro que por aqui dirigiu, entre outros times, a querida Lusa, comandante da Seleção Portuguesa na Copa da Inglaterra de 66 (detonando o Brasil ainda na primeira fase), dizia sempre, ao analisar um elenco, que “não se faz omelete sem ovos”. Sem bons jogadores, é impossível formar um grande time. É possível arranjar um capaz de ganhar alguns jogos, até um campeonato, mas jamais para entrar na história.
Para se formar um grande time, são necessários, no mínimo, cinco grandes jogadores, capazes de fazer subir o nível dos demais. Menos que isso, prevalece o nível determinado pelos bicudos. Parece elementar, e é. Além da predominância de jogadores de qualidades superior, é necessário dar um tempo para que o técnico – que também precisa ter qualidades – monte o time, explique o que deseja (claramente, porque muitos pensam com os pés), treine à exaustão o que planejou e tenha retaguarda para enfrentar os resistentes. Em geral, jogadores em fim de carreira, que querem jogar “com o nome”.
Esse tempo nada tem a ver com os longos contratos – alguns pedem até três anos – propostos pelos técnicos de salários milionários. Mas não pode ser inferior a três, quatro meses. Quando o técnico já conhece o ambiente, torna-se naturalmente mais fácil. É o caso do Tite, no Corinthians.
E se o clube, por razões financeiras ou uma rara direção forte e presente, abre mão de jogadores que a torcida e mesmo a imprensa olham como imprescindíveis, melhor ainda. Vale uma lição para os demais – a tal do “aqui ninguém tem cadeira cativa”. Por esses dois motivos, o Corinthians abriu mão de Guerrero e Sheik, vem usando jovens revelados no clube ou reforços baratos e lidera o torneio. Alguém tem algo a reclamar?
O trabalho de Marcelo Oliveira no Palmeiras é diferente. Chegou num momento crítico, encontrou um número enorme de jogadores apenas razoáveis e graças às suas qualidades como técnico, e personalidade sustentada pelo bicampeonato com o Cruzeiro, não foi engolido. Vai se sustentando.
A situação de Juan Carlos Osorio no São Paulo é claramente a mais complicada. Não tem podido contar com Rogério Ceni como goleiro que impõe respeito e lidera o grupo; não tem como barrar – mesmo se desejasse – Ganso, Luis Fabiano e outros que as chuteiras já atrapalham; vê-se a cada jogo obrigado a escalar jovens recém promovidos; ouve cornetas tocando por todos os cantos e, injustamente, acaba passando de bestial a besta e vice-versa (outra máxima usada por Otto Glória). Com o elenco que tem, bem que merece ficar só com a primeira situação.
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