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No Ângulo | Futebol é preciso

Falsas promessas tiram credibilidade da direção e aproximam Santos do rebaixamento

17/07/2015

Créditos da imagem: superesportes.com.br

Não há nada pior para um profissional do que trabalhar e não receber a quantia combinada como recompensa pelo esforço mensal. Em nenhuma área é possível manter o rendimento sem que o patrão cumpra sua obrigação e pague os salários em dia. É impossível se manter motivado. Pior ainda acontece quando os funcionários recebem do comando da empresa a promessa de que o pagamento dos atrasados será cumprido em tal data e, quando o dia chega, ao conferir suas contas bancárias eles percebem que nenhum tostão foi depositado. A situação, no mínimo, desconfortável tem sido comum no Santos. Talvez seja a justificativa mais plausível para explicar o motivo pelo qual o campeão paulista venceu apenas três partidas no Campeonato Brasileiro e está na zona de rebaixamento.

A diretoria do Santos a cada dia que passa perde a confiança dos jogadores. Há alguns dias, o presidente Modesto Roma Júnior (foto) convocou uma reunião no CT Rei Pelé. Chamou todos os jogadores do elenco, a comissão técnica, todo o departamento médico e funcionários. Disse que todos os problemas estavam equacionados e que os salários atrasados seriam pagos na quarta-feira da semana passada. Além disso, prometeu que a premiação pelo título de campeão paulista, também atrasada, seria paga na última segunda-feira. Adivinhem o que aconteceu? Tanto em um dia como no outro, jogadores e funcionários foram conferir suas contas e nada havia sido depositado. “Não sei para que convocar uma reunião e fazer promessas que não vai conseguir cumprir. Seria mais honesto explicar as dificuldades do clube e dizer que tudo seria pago assim que possível. De que adianta prometer e não cumprir”, me confidenciou um dos presentes à reunião.

Na entrevista coletiva de quinta-feira, perguntei a respeito da situação ao atacante Ricardo Oliveira, que respondeu: “É um agravante, mas não é determinante em relação ao rendimento do time”, resumiu o experiente jogador, tentando não relacionar a situação do Peixe na tabela com os salários atrasados, certamente com medo de algum tipo de retaliação por parte da torcida, que costuma, por incrível que pareça, chamar os atletas de mercenários quando eles cobram da diretoria receber aquilo que lhes é de direito.

Acredito que o grupo de jogadores tente separar as coisas até porque qualquer tipo de valorização ou de possibilidade de transferência depende do que for feito dentro de campo. Mas não tem como não influenciar. Todo mundo tem conta para pagar. Você pode argumentar que os salários dos jogadores são muito altos para os padrões da sociedade brasileira. Mas é só se colocar no lugar deles. Qual profissional, seja de qualquer área, não aumenta seus gastos, muda seu padrão de vida, ao receber um aumento, uma promoção?

Situação parecida viveu o Corinthians em 2015. A gestão de Mário Gobbi devia aos tubos para o elenco, mas o novo presidente foi eleito em fevereiro. Roberto Andrade prometeu ao elenco que logo equacionaria todas as dívidas. Mas o time que encantou o futebol brasileiro no começo do ano foi aos poucos perdendo o brilho até ser eliminado pelo modestíssimo Guarani, do Paraguai. Não há dúvida que a crise financeira e a incerteza sobre o futuro de alguns dos principais jogadores do clube foram preponderantes para o fracasso alvinegro.

Por isso, é bom o que o Santos abra os olhos. É verdade que na estreia de Dorival Júnior, o Peixe sapecou o Figueirense por 3 a 0 e deu alguma esperança ao torcedor. Parte do valor devido foi pago nesta sexta-feira. A dívida com os funcionários foi quitada, mas os jogadores receberam apenas o CLT que deveria ser pago em junho. Foi apenas uma manobra para evitar que os atrasos chegassem a três meses, prazo que daria direito aos atletas de entrar na Justiça para deixar o clube. Os direitos de imagem, que representam a maior parte dos vencimentos dos jogadores, continuam atrasados há dois meses. Algo precisa ser feito e rápido no Santos. Caso contrário, o sofrimento da luta contra o rebaixamento vai continuar até o fim do Campeonato Brasileiro.