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No Ângulo | Futebol é preciso

Sobre a visão enviesada do Barcelona

17/10/2018

Créditos da imagem: El País

Clube espanhol emite nota lamentando posição política pró-Bolsonaro dos craques Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Seria coerente que também abordasse Maradona na análise histórica de seus “posicionamentos institucionais”

Os brasileiros Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho declararam abertamente apoio à candidatura de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil.

Nenhum deles é ativo na campanha do candidato, é bom que se diga. Apenas e tão somente manifestaram os seus votos, como já fizeram anteriormente Felipe Melo, Jadson e outros tantos.

O que causa estranheza é esse mesmo Barcelona em nenhum momento ter questionado o apreço de Maradona -também ex-jogador do clube- por líderes mundiais como Fidel Castro, Hugo Chávez e Nicolás Maduro. 

Aliás, Maradona é mais do que um entusiasta de ditos políticos. É Cabo Eleitoral, um verdadeiro ativista em suas campanhas.

De maneira que a nota emitida pelo clube “afirmando o seu compromisso com os valores democráticos” soa como algo ridículo diante dos fatos.

Um clube “democrático” que (ora vejam só) apoia o referendo de independência da Catalunha a qualquer custo, ainda que para tanto tenha que rasgar a Constituição.

“Mais que um clube”?

Sim, pelo menos nesse episódio, uma piada de mau gosto.

E segue o jogo.

*Atualização: fui alertado por leitores que Maradona não é oficialmente um “embaixador” do Barcelona, como são Rivaldo e Ronaldinho. Ok, fato relevante e que trago à baila agora nestas linhas. Mas é fato que seria de bom tom que o clube, já que entrou nessa bobagem de querer se posicionar sobre o posicionamento de seus ex-atletas, também reprovasse publicamente o apoio do craque argentino a incontestes ditadores. Nesse sentido, verifica-se sim aquela questão de “dois pesos e duas medidas” na postura do Barcelona. É como se o pai de dois filhos repreendesse aquele “boca-suja” e insolente e não se posicionasse sobre o outro, que, digamos, agrediu fisicamente um colega de sala e furtou a sua carteira. Não dá, né? Quanto ao referendo, penso que os fins não justificam os meios. Tampouco a ideologia. E lamento que se pense que o colunista “não sabe o que foi a ditadura franquista” por não pensar como pensam alguns “idealistas”. Em tempo: todo o meu respeito às vítimas do autoritarismo de Francisco Franco, mas é que aqui neste espaço a gente procura não confundir “alhos com bugalhos”.