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No Ângulo | Futebol é preciso

Quem é melhor, Ganso ou Neymar?

22/07/2015

Créditos da imagem: Montagem de NO ÂNGULO

Calma, calma! Esse título foi deliberadamente provocativo.

Mas o que hoje soa absurdo era plenamente possível há cerca de cinco anos, quando os então “Meninos da Vila” começaram a despontar e encantar o Brasil naquele impiedoso Santos de 2010. Penso até que o meio-campista contava com uma certa predileção da maior parte da imprensa especializada e torcida, que invariavelmente o apontavam como “o” grande craque e destaque do time, algo que o tempo se encarregou de desmentir.

Falando em Paulo Henrique Ganso, confesso ter levado um choque ao pesquisar a ficha do atleta e constatar que o hoje jogador do São Paulo está prestes a completar 26 anos de idade. Passada a minha surpresa, gostaria de levantar as seguintes questões: o que de relevante aconteceu na carreira do promissor jogador? Por que razão ele não enverga a camisa 10 da Seleção Brasileira, tão carente de um atleta com as suas características? E como pode o eterno candidato a craque ainda estar atuando no Brasil?

Ao contrário de Neymar, que permaneceu no Santos por alguns bons anos como estratégia de carreira (hoje é possível cravar que o craque do Barcelona “engoliu” Ganso, tendo se tornado uma estrela do futebol mundial), o meia são-paulino não é cobiçado pelos grandes clubes europeus e agora vê, diante do mau futebol praticado em 2015, a possibilidade de ser negociado com o futebol norte-americano, este reconhecidamente um mercado rico, mas tecnicamente pobre e atualmente famoso por receber atletas renomados em final de carreira, como Henry, Lampard, David Villa e o ex-companheiro de Ganso no São Paulo, Kaká – entre outros.

Fã que (ainda) sou do futebol do altivo jogador, acharei uma pena caso a transferência para o Orlando City seja confirmada, já que, ao contrário da maioria, penso que Ganso ainda pode sim atuar em alto nível (ele o fez no último Campeonato Brasileiro), desfilar a sua inegável qualidade e ainda ser combativo e competitivo (quando ele está “ligado”, costuma ser um dos líderes de desarmes de sua equipe, por exemplo). Além de exibir sua grande categoria e qualidade para fazer fluir um estilo de jogo rápido e moderno, embora ele próprio não seja fisicamente um jogador veloz.

A propósito, ouso discordar de Muricy Ramalho, para quem Ganso deveria jogar mais avançado, mais próximo da área adversária e tentar fazer mais gols. Claro que todo jogador deve buscar o aperfeiçoamento e tentar melhorar os seus pontos fracos, mas não a qualquer custo, sob pena de colocar em risco o que tem de melhor. Ganso rende mais na faixa central do meio de campo, sendo organizador de equipe e lançador. Essa função de quarto homem mais agudo e goleador simplesmente não é a praia dele. Insistir com esse argumento apenas contribuirá para minar a sua confiança e desgastar a sua imagem.

Ademais, pondero se ele não sente o “peso” de ser o craque do time, vez que, atuando ao lado de Neymar e Kaká, em diferentes momentos de sua carreira (com o primeiro no início de sua trajetória no Santos e com o segundo no segundo semestre do ano passado, pelo São Paulo), brilhou e foi decisivo.

Vejo Ganso como um ótimo coadjuvante e com grande capacidade de dar dinâmica de jogo a equipes já acertadas e com padrão de jogo definido, mais ou menos como era o pentacampeão mundial pela seleção Ricardinho, ex-jogador de Corinthians, São Paulo e Santos e hoje treinador de futebol (atualmente sem clube).

Ainda, penso que o problema maior de Ganso passe por seu temperamento. Desde os tempos de Santos, quando passou a exibir um “biquinho” por não ter recebido o mesmo tratamento dispensado pela diretoria a Neymar e forçou a sua saída da equipe (de maneira precipitada e até ingrata), o jogador tem sido soberbo (no São Paulo, chegou a dizer que era o melhor meia do futebol brasileiro) e parece jogar emburrado, quase a contragosto, de tão infeliz e insatisfeito que parece estar com a falta de rumo de sua carreira.

Entendo que faria um bem danado ao Ganso tentar entender que reconhecer e aceitar a própria vulnerabilidade o ajudaria sobremaneira a sair desse “limbo”, para, quem sabe, poder deslanchar e obter todo o retorno – técnico e financeiro – que o seu talento sugere.

Como já externei anteriormente, tempo e capacidade Ganso tem. Que reflita e mude.

E, desde que ele próprio também se ajude, que encontre uma mão estendida e não apenas cornetas em seu caminho.

Sim, Ganso ainda é um rascunho do que imaginávamos. Mas eu, enquanto amante e crítico de futebol, JAMAIS desistirei do talento.

E segue o jogo.