Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

A hipocrisia no episódio do gol de Jô

19/09/2017

Créditos da imagem: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Tenho muito respeito pelo técnico Renê Simões. O considero centrado e coerente. E foi ele quem, nesta segunda-feira em que o esporte mais praticado no país é condenar Jô, pelo gol de braço contra o Vasco, deu uma linha interessante em entrevista à rádio Bandeirantes. Em resumo, Simões leva em consideração a hipótese de que o jogador realmente não tenha sentido onde a bola tocou em seu corpo. Mesmo com a dúvida, acha que está havendo uma condenação meio ilógica, lembrando que deveriam também cobrar do zagueiro vascaíno Anderson Martins o fato de ele ter derrubado Jô na área, no primeiro tempo, e não avisar o juiz de sua falta.

Jô teve dois gols legítimos anulados e que tiraram a chance de vitórias do Corinthians sobre Coritiba e Flamengo. Ninguém cobrou das duas equipes um alerta ao árbitro para dizer que os gols eram legítimos. No primeiro turno, Luís Fabiano fez um gol de mão contra o Corinthians, em São Januário. Como foi 5 a 2 para os paulistas, ninguém condenou – nem o indignado goleiro Martin Silva, do Vasco. Nem Euriquinho, dirigente do clube carioca e novo apóstolo da moralidade.

No Paulista deste ano, em pleno Corinthians x Palmeiras, o árbitro confundiu Maycon com Gabriel, dando a este um segundo cartão amarelo em lance que ele não havia feito falta. Todos viram que o juiz se enganou. Mas ele se manteve irredutível. E palmeirenses, como Keno e Dudu, mesmo tendo visto o lance, reforçaram o engano com uma pressão enfática, típica de quem tem absoluta certeza e razão.

Rodrigo Caio deu um exemplo de honestidade incomum ao avisar o juiz, em um clássico São Paulo x Corinthians, que Jô não merecia ser expulso. Tão incomum que foi condenado pelo técnico Rogério Ceni, diretores e companheiros, e por alguns comentaristas.

Já tinha passado da hora de adotarmos medidas modernas para evitar os erros da arbitragem, como o juiz eletrônico. Mas tem que ser uma discussão correta. Precisamos de mais seriedade e eficiência, e menos hipocrisia.